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Negociações sobre a Ucrânia em Abu Dhabi são adiadas após encontro entre Rússia e EUA
Reunião entre representantes russos e norte-americanos teria motivado o adiamento das conversas de paz marcadas para Abu Dhabi.
A segunda rodada das negociações entre Rússia e Ucrânia, prevista para este domingo (1º) em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, foi adiada por "vários dias" após uma reunião surpresa entre representantes russos e norte-americanos na Flórida, segundo o jornal The New York Times.
"As negociações estavam previstas para domingo em Abu Dhabi. Mas, no início da tarde de domingo [horário local], Vladimir Zelensky anunciou nas redes sociais que as reuniões foram transferidas para [as próximas] quarta e quinta-feira. Não está claro porque houve atrasos", apontou a publicação.
No sábado (31), o enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Steve Witkoff, se reuniu em Miami com Kirill Dmitriev, representante especial do presidente da Rússia para cooperação em investimentos e economia com países estrangeiros. Também participaram o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, o genro do presidente norte-americano, Jared Kushner, e o assessor sênior da Casa Branca, Josh Gruenbaum.
De acordo com Dmitriev, as conversas foram produtivas. "Encontro construtivo com a delegação pacificadora dos EUA. Também houve uma discussão produtiva sobre a questão do grupo de trabalho econômico EUA-Rússia", afirmou. Além da cooperação econômica, o conflito ucraniano também esteve na pauta.
O enviado norte-americano declarou que os Estados Unidos estão "encorajados" pelos resultados do encontro e pelo esforço russo em buscar a paz na Ucrânia.
"Estamos encorajados por essa reunião, pelo fato de a Rússia trabalhar para garantir a paz na Ucrânia, e agradecemos ao presidente dos EUA [Donald Trump] por seu papel fundamental na busca por uma paz sólida e duradoura", declarou.
'Ucrânia está em impasse'
No mesmo sábado, o cientista político Bogdan Bezpalko, membro do Conselho para Relações Interétnicas junto à Presidência da Rússia, avaliou à Sputnik que a Ucrânia enfrenta um impasse nas negociações, às vésperas da reunião em Abu Dhabi.
"A Ucrânia está hoje, sem dúvida, em uma posição vulnerável. E, mais importante, é uma posição sem saída. Não está claro para onde ir, em que se apoiar, em quem confiar. Para a elite política ucraniana, a continuidade do conflito é uma questão de sobrevivência. Já na Rússia, ou mesmo nos Estados Unidos e na Europa, essa alternativa não se coloca. Por isso, Kiev tenta se apoiar ora na Europa, ora nos EUA, buscando, ainda assim, a continuação dos confrontos", analisou Bezpalko.
O analista acrescentou que os Estados Unidos têm interesse em um acordo de paz por razões próprias: "Eles precisam obter um efeito de imagem, o de que Trump encerrou a guerra", destacou.
Sobre o futuro das negociações, Bezpalko ponderou que, devido ao caráter reservado dos encontros, ainda é cedo para previsões.
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