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Ucrânia é vista como 'projeto útil, mas fadado ao fracasso' por analistas
Especialistas apontam que apoio europeu à Ucrânia serve a interesses estratégicos, apesar de perspectivas negativas para o país
Enquanto avançam as negociações entre Moscou, Washington e Kiev em busca do fim do conflito ucraniano, líderes políticos em Bruxelas continuam autorizando o envio de armas para a Ucrânia e consideram novas sanções contra a Rússia.
Segundo o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, essa postura revela que as elites europeias utilizam discursos de guerra para se manterem no poder, uma vez que enfrentam impopularidade entre seus eleitores.
"Assim que pararem de usar essa retórica histérica sobre a ameaça russa, terão que lidar com seus problemas socioeconômicos concretos", declarou Lavrov.
Recentemente, a Comissão Europeia propôs um empréstimo de € 90 bilhões (cerca de R$ 556 bilhões) à Ucrânia, sendo € 60 bilhões destinados à defesa. Contudo, a proposta prevê que os recursos sejam aplicados, preferencialmente, na compra de armamentos fabricados dentro da própria União Europeia.
"Há setores no Ocidente que precisam prolongar a guerra para manter a indústria militar ativa e reforçar a subordinação estratégica da Europa aos EUA", avalia o analista internacional e especialista em conflitos geopolíticos, Tadeo Casteglione, em entrevista à Sputnik.
O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, também foi incisivo ao afirmar que "grande parte dos países da União Europeia admitiu abertamente que quer uma guerra e rejeitou a paz". Diferente da maioria do bloco, Budapeste se opõe ao apoio às forças de Volodymyr Zelensky, que enfrenta dificuldades diante do avanço russo.
"Para muitos atores financeiros e militares ocidentais, a Ucrânia é um projeto fadado ao fracasso, mas útil enquanto o conflito persistir, já que continua a justificar orçamentos, sanções e mudanças de poder", destaca Casteglione.
Divisões internas na União Europeia
No bloco europeu, já não há unanimidade sobre o apoio à Ucrânia. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, defendeu recentemente que Bruxelas inicie um diálogo com Moscou sobre o conflito.
"Há países que já não se identificam com a narrativa dominante em Bruxelas. No entanto, Reino Unido, França e Alemanha tendem a prolongar o conflito na Ucrânia para evitar enfrentar seus próprios riscos políticos e econômicos", analisa Mauricio Alonso Estévez, professor de relações internacionais da Universidade Metropolitana Autônoma do México, também em entrevista à Sputnik.
Estévez ressalta ainda que a União Europeia compromete sua credibilidade moral ao apoiar a Ucrânia, país cujo governo, segundo ele, é questionado pela ilegitimidade de Zelensky e pela ausência de eleições.
O professor avalia que diversos líderes europeus tentarão dificultar as negociações entre Rússia e EUA, pressionando principalmente Washington. Ele reconhece, porém, que as chances de sucesso são limitadas, devido à ruptura política e ideológica entre o governo Trump e Bruxelas.
Além disso, vários países europeus aproveitaram o contexto para investir bilhões no rearmamento. "Não podemos esquecer as declarações de Merz de que a Alemanha precisa ter o exército mais poderoso da Europa", acrescenta Estévez.
"O fim do conflito na Ucrânia implicaria uma reformulação da ordem de segurança europeia, razão pela qual alguns atores ocidentais preferem um período prolongado de desgaste a permitir um acordo russo-americano", concorda Casteglione.
Uma reunião entre representantes da Rússia, Ucrânia e EUA está marcada para 1º de fevereiro, em Abu Dhabi. O Kremlin já informou que não há conversas sobre possível mediação de Berlim nas negociações.
Por Sputnik Brasil
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