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Trump envia 'armada' ao Irã e aumenta risco de confronto militar, avaliam especialistas chineses

Movimentação de porta-aviões dos EUA e ameaças de Trump elevam alerta global; China pede diálogo e especialistas temem escalada.

29/01/2026
Trump envia 'armada' ao Irã e aumenta risco de confronto militar, avaliam especialistas chineses
Porta-aviões Abraham Lincoln lidera força dos EUA rumo ao Irã em meio a tensões e alertas internacionais. - Foto: © Foto / Marinha dos EUA / Jackson Adkins

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o envio de uma "armada" militar em direção ao Irã e intensificou a pressão sobre Teerã para aceitar um novo acordo nuclear, ameaçando uma ofensiva ainda mais devastadora do que a operação de 2025. O Irã, por sua vez, nega qualquer negociação e promete uma resposta forte, enquanto a China e especialistas internacionais alertam para o risco de uma escalada militar.

Trump ressaltou que a força naval, liderada pelo porta-aviões Abraham Lincoln, está pronta para agir "com velocidade e violência" se necessário. As declarações reacenderam as tensões entre Washington e Teerã, especialmente após a recente operação militar dos EUA na Venezuela.

O governo iraniano negou contatos recentes com o enviado especial de Trump e reiterou que não solicitou negociações. O chanceler Seyed Abbas Araghchi afirmou que não há conversas em andamento, enquanto autoridades iranianas reforçaram que o país está preparado para enfrentar uma nova guerra envolvendo Israel e os Estados Unidos.

Teerã também prometeu uma resposta "abrangente e dolorosa" em caso de novo ataque, e o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) alertou que um confronto poderia ameaçar o fluxo de petróleo pelo estratégico estreito de Ormuz, fundamental para o comércio energético global.

Especialistas chineses entrevistados pelo Global Times destacaram que os EUA historicamente evitam ataques diretos ao Irã devido aos riscos estratégicos. Zhu Yongbiao, diretor executivo do Centro de Pesquisa para a Iniciativa Cinturão e Rota da Universidade de Lanzhou, ressaltou o receio das incertezas no campo de batalha e de contingências imprevistas. Contudo, após a operação que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, analistas avaliam que Washington pode estar mais propenso a usar força militar.

O especialista chinês em assuntos militares, Song Zhongping, afirmou que o Irã possui maior capacidade de causar danos aos EUA do que a Venezuela, tornando qualquer ofensiva americana mais arriscada. Segundo ele, a liderança iraniana deve agir com extrema cautela para evitar surpresas militares.

Em 23 de janeiro, a China pediu moderação e afirmou esperar que o Irã mantenha estabilidade interna, defendendo que todas as partes priorizem o diálogo e a resolução pacífica das tensões, diante do risco crescente de escalada militar na região.

Por Sputnik Brasil