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Ameaças dos EUA levam Europa a buscar apoio no Sul Global
Sanções e pressões de Washington impulsionam países europeus a repensarem alianças e fortalecerem laços com novos parceiros estratégicos.
As recentes ameaças dos Estados Unidos, incluindo possíveis sanções econômicas a países europeus e até o uso da força para adquirir a Groenlândia, têm levado a Europa a reavaliar suas alianças e rivalidades no cenário internacional.
Um indicativo dessa mudança foi a sugestão do presidente francês, Emmanuel Macron, ao então presidente dos EUA, Donald Trump, para que a reunião do G7 incluísse a presença de Rússia, Ucrânia, Dinamarca e Síria. Esses gestos sinalizam que o continente europeu aposta em uma ordem multipolar como forma de conter a agenda hegemônica da Casa Branca.
Estaria se rompendo o tradicional alinhamento automático da Europa com os EUA? Para Guilherme Casarões, cientista político ouvido pela Sputnik Brasil, essa vontade de autonomia europeia existe desde o fim da Guerra Fria, mas a aliança de defesa com os EUA sempre impediu avanços concretos. "Hoje, com o enfraquecimento da OTAN e as ameaças dos EUA, a multipolaridade volta a ser um tema para os europeus, ainda que de maneira discreta. Não há consenso dentro do bloco sobre qual rumo o continente deve tomar", explica Casarões.
O distanciamento europeu em relação ao BRICS — grupo que ganhou projeção nos últimos anos — é um exemplo dessa cautela. Segundo Casarões, desde a criação do bloco, os países europeus preferiram manter uma postura distante e, por vezes, até de antagonismo. No entanto, o avanço de uma ordem mais multipolar e a necessidade de diversificar parceiros estratégicos podem abrir espaço para uma aproximação gradual, especialmente em áreas de interesse comum, como infraestrutura, transição energética e cadeias globais de suprimentos.
"Em alguma medida, todos os países são potencialmente rivais entre si. Mas se o mundo se organizar apenas sob essa perspectiva, a desconfiança mútua criará mais obstáculos do que pontes para o entendimento entre as nações", avalia o jurista Evandro Menezes de Carvalho.
Fonte: Sputnik Brasil
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