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Copom deve cortar Selic em 0,25 ponto em março, mas ajuste maior não está descartado, avalia Santander

Banco projeta início do ciclo de queda dos juros, mas destaca possibilidade de corte mais agressivo diante do tom do BC.

28/01/2026
Copom deve cortar Selic em 0,25 ponto em março, mas ajuste maior não está descartado, avalia Santander
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Santander Brasil mantém a projeção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central iniciará o ciclo de redução da Selic com um corte de 0,25 ponto percentual em março. A avaliação ocorre após o comunicado divulgado nesta quarta-feira, 28, que sinalizou claramente espaço para uma redução na próxima reunião.

"Mas a disposição do Comitê em articular um passo prospectivo de flexibilização — algo que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, era visto como relutante em fazer — reforça a confiança do colegiado e amplia o espaço para ajustes iniciais maiores", pondera Marco Antônio Caruso, head de Política Monetária do Santander, em relatório a clientes.

Segundo Caruso, o texto do Copom representa "um claro pivô", mudando de uma postura de "manutenção prolongada" para uma "flexibilização calibrada à frente". Agora, o comitê afirma que, diante de um ambiente de inflação mais baixa e transmissão de política monetária mais evidente, "a estratégia envolve calibração da taxa de juros" e, condicionada ao cenário esperado, antecipa o início do ciclo de flexibilização já na próxima reunião.

"Em nossa visão, esta é a formulação mais dovish no léxico institucional do BC, exceto por um pré-compromisso explícito: preserva limites (manter restrição adequada e 'serenidade quanto ao ritmo e magnitude') enquanto reformula a função de reação em direção a passos pequenos e dependentes de dados", analisa o economista.

Apesar da cláusula de "serenidade" que tempera as expectativas em relação ao ritmo de flexibilização, Caruso observa que os mercados podem passar a considerar cada vez mais provável uma redução de 0,5 ponto percentual da Selic em março, em linha com a "aritmética do BC".

"O comitê não se comprometeu previamente a tal movimento, mas a combinação de um pivô dovish na linguagem e uma projeção altamente sensível ao câmbio à vista reduz significativamente a barreira para um passo inicial mais forte", conclui Caruso.