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Secemski: Tendência de apreciação do real pode apoiar corte de 0,50 pp no juro em março
Economista-chefe do Barclays aponta que valorização do real pode influenciar decisão do BC sobre a Selic.
Uma possível continuidade do movimento de apreciação do real pode levar o Banco Central a cortar a Selic em 0,50 ponto percentual na reunião de março, avalia o economista-chefe para o Brasil do Barclays, Roberto Secemski. Apesar dessa possibilidade, a projeção oficial do banco britânico permanece sendo de um corte inicial de 0,25 ponto no próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom).
No comunicado divulgado nesta quarta-feira, 28, após a decisão de manter a Selic em 15%, o Banco Central afirmou que, caso o cenário esperado se confirme, prevê o início da flexibilização monetária em março, sem, no entanto, detalhar o tamanho do primeiro corte.
"Mantemos nossa visão de corte de 0,25 ponto em março, considerando a referência a uma postura cautelosa e à serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo de afrouxamento. No entanto, reconhecemos a possibilidade de um corte maior, de 0,50 ponto, caso a tendência de apreciação do real persista nas próximas semanas", escreveu Secemski em relatório.
O economista destaca que o Banco Central fez uma sinalização explícita sobre os próximos passos no documento divulgado hoje, conhecido como forward guidance, mesmo após declarações recentes de diretores da instituição em sentido contrário.
"Achávamos que o colegiado preferiria manter uma postura hawkish, dada a recente aversão ao forward guidance, especialmente diante das incertezas no cenário doméstico. Havia a intenção de obter ganhos de credibilidade que pudessem resultar em quedas adicionais das expectativas de inflação de longo prazo, que ainda estão bem acima de 3%", detalha Secemski.
Diante da sinalização do Banco Central, o economista do Barclays avalia que os diretores podem estar mais confiantes de que a evolução dos fatores que influenciam a inflação permitirá um corte na próxima reunião, "quase independentemente da evolução dos dados econômicos entre agora e março".
"Dessa forma, avaliamos o comunicado de hoje como mais dovish do que esperávamos, por ser mais explícito em relação aos próximos passos da política monetária", conclui Secemski.
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