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Skaf critica Selic alta e alerta para asfixia do setor produtivo

Presidente da Fiesp afirma que juros elevados por longo período prejudicam empresas e freiam investimentos no Brasil.

28/01/2026
Skaf critica Selic alta e alerta para asfixia do setor produtivo
Paulo Skaf - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano por um período prolongado, reforçada nesta quarta-feira (28) pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, está provocando um “quadro de asfixia” que prejudica empresas e desestimula investimentos, afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

Em carta enviada ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, Skaf reconheceu o rigor técnico das decisões da autoridade monetária, mas destacou que o Brasil chegou a um “limite exaustivo”. Segundo ele, com a inflação próxima a 5% ao ano e juros reais em torno de 10%, o cenário se torna insustentável para o setor produtivo.

“Empresas sólidas sofrem desvalorização, a inadimplência cresce em níveis alarmantes e o incentivo ao investimento torna-se inexistente. Por que empreender, inovar ou expandir operações se o capital é mais bem remunerado na inércia da renda fixa?”, questionou Skaf.

O presidente da Fiesp acrescentou que está “cada vez mais difícil encontrar motivos para o adiamento de um ciclo de afrouxamento monetário”, ressaltando que as condições para a redução dos juros já estariam consolidadas. O Copom sinalizou, no comunicado divulgado hoje, que pode iniciar o corte da Selic na próxima reunião, em março.

“Nossa inflação não é fruto de excesso de consumo. Ao contrário, o que assistimos é uma punição ao setor produtivo. Com o custo de capital mais alto do mundo, o ajuste fiscal corre o risco de tornar-se uma ficção contábil, enquanto o crescimento real e a geração de empregos são sacrificados”, concluiu Skaf.