Geral
BC mantém projeção de inflação em 3,2% para 12 meses até 3º tri de 2027
Copom reforça horizonte relevante da política monetária e destaca riscos elevados para inflação
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve, nesta quarta-feira (28), sua projeção para a inflação acumulada em 12 meses até o final do terceiro trimestre de 2027 em 3,2%. Esse período foi definido como o horizonte relevante da política monetária.
A estimativa permanece ligeiramente acima do centro da meta de inflação, fixada em 3%. Isso indica que a trajetória de juros prevista no relatório Focus ainda não é suficiente para garantir a convergência da inflação à meta no período de seis trimestres considerado pelo BC. Atualmente, as medianas apontam para uma Selic de 12,25% ao fim de 2024, caindo para 10,50% ao final de 2027.
Nesta reunião, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 15,0% ao ano, em decisão unânime. A expectativa de manutenção era compartilhada por 36 das 37 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Ao justificar a decisão, o colegiado destacou que os riscos para a inflação – tanto de alta quanto de baixa – seguem mais elevados do que o habitual. Entre os riscos de alta, o BC citou: "uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada, devido a um hiato do produto mais positivo; e uma combinação de políticas econômicas externas e internas que possam gerar impacto inflacionário maior que o esperado, como uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada". Entre os riscos de baixa, o Copom elencou: "uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada; uma desaceleração global mais pronunciada, decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários".
A cotação do dólar utilizada pelo comitê em suas projeções permaneceu em R$ 5,35. Já a mediana do Focus para o IPCA de 2026 recuou de 4,16% para 4,00% desde a última reunião, enquanto para 2027 permaneceu em 3,80%.
A projeção do Copom para o IPCA acumulado em 2026 foi ajustada de 3,5% para 3,4%.
Todas as estimativas consideram a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória da Selic prevista no relatório Focus e o preço do petróleo acompanhando a curva futura por cerca de seis meses, passando a aumentar 2% ao ano posteriormente.
No mesmo cenário de referência, o Copom revisou suas projeções para a inflação de preços livres em 2026 (de 3,6% para 3,5%) e manteve em 3,1% para o terceiro trimestre de 2027. Já a projeção para os preços administrados passou de 3,2% para 3,0% este ano, e de 3,2% para 3,3% no horizonte relevante.
Juros reais
Com a manutenção da Selic em 15%, o Brasil segue com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, de 9,23%, segundo ranking do site MoneYou. O país fica atrás apenas da Rússia, com 9,88%. Em seguida aparecem Turquia (6,45%), México (5,39%) e Argentina (7,63%).
O Banco Central calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil – aquela que não estimula nem deprime a economia – é de 5,0%.
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