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Das carnes aos automóveis: quem serão os 'vencedores' no acordo Mercosul-UE?

Especialistas analisam impactos do acordo Mercosul-União Europeia e apontam setores que devem se beneficiar com a parceria.

10/01/2026
Das carnes aos automóveis: quem serão os 'vencedores' no acordo Mercosul-UE?
Acordo Mercosul-UE pode baratear produtos europeus e impulsionar exportações sul-americanas. - Foto: © Foto / Washington Costa / Ministério da Economia

A aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul pelo Conselho Europeu marca um avanço decisivo para a implementação de um tratado negociado ao longo de quase 26 anos entre os dois blocos econômicos. Para especialistas, a medida pode abrir caminho para um ambiente comercial mais livre e dinâmico.

"Acredito que, se este acordo receber a abrangência fundamental que lhe foi atribuída, poderá ser uma peça-chave num momento em que as políticas de isolacionismo e anti-multilateralismo estão em vigor", avalia o analista Mario Paz Castaing à Sputnik.

Segundo o economista José Luis Oreiro, um dos efeitos imediatos para os países do Mercosul será a redução dos preços de determinados produtos europeus, que tendem a se tornar mais acessíveis nas prateleiras dos supermercados sul-americanos.

"Alguns produtos terão uma redução considerável de preço. Por exemplo, os vinhos europeus serão mais competitivos do que os argentinos no mercado brasileiro, o que poderá beneficiar muito as exportações da Espanha, Itália ou França", explica Oreiro.

De acordo com o economista, outros itens atualmente considerados de luxo no Brasil, como presuntos ou queijos importados, também podem ficar mais acessíveis ao consumidor local.

O acordo de parceria e livre comércio entre Mercosul e União Europeia foi confirmado pelo Conselho Europeu nesta sexta-feira (9). A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou a decisão como um passo estratégico para fortalecer a competitividade europeia, diversificar parcerias comerciais e enviar um "sinal claro" diante do aumento do protecionismo e da instabilidade econômica global.

Do lado sul-americano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a aprovação como um "dia histórico para o multilateralismo", ressaltando a importância do acordo para ampliar o acesso de produtos do Mercosul ao mercado europeu, atrair investimentos e gerar empregos na região.

Por Sputnik Brasil