Geral
Taxas futuras sobem com inflação de serviços elevada e dados de emprego nos EUA
IPCA de dezembro veio dentro das expectativas, mas serviços pressionam; payroll dos EUA surpreende e reforça cautela nos juros
Após uma semana de baixo volume e oscilações contidas, os indicadores mais aguardados — o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o relatório de emprego dos Estados Unidos (payroll), ambos referentes a dezembro — impactaram significativamente a curva de juros futuros.
O IPCA veio em linha com as expectativas, mas apresentou composição desafiadora, especialmente no segmento de serviços. Já o payroll indicou geração de empregos um pouco abaixo do previsto, mas surpreendeu ao apontar leve queda na taxa de desemprego americana.
Como reflexo, houve firme alta em todos os vencimentos dos Depósitos Interfinanceiros (DIs). As apostas em corte da Selic em março foram reforçadas. No fechamento, a taxa do DI para janeiro de 2027 avançou de 13,714% para 13,76%. O DI para janeiro de 2029 subiu de 12,994% para 13,060%. Para janeiro de 2031, a taxa passou de 13,309% para 13,345%.
Divulgado pelo IBGE, o IPCA acelerou de 0,18% em novembro para 0,33% em dezembro, exatamente em linha com a mediana das estimativas do mercado. Em 12 meses, o índice encerrou 2025 em 4,26%, abaixo do teto da meta inflacionária (4,5%) e levemente inferior ao consenso (4,27%). No entanto, o avanço de 6% nos preços de serviços, segmento mais correlacionado ao mercado de trabalho, chamou atenção.
Na passagem mensal, a inflação de serviços ganhou força, passando de 0,60% para 0,72%, segundo cálculos da XP Investimentos. O núcleo de serviços subjacentes também acelerou, de 0,30% para 0,56%. Os serviços intensivos em mão de obra, monitorados de perto pelo Banco Central, subiram 0,77% na leitura atual, ante 0,61% na anterior.
A XP projetava alta de 0,71% para esse grupo. “A composição do IPCA de dezembro reforça nossa visão de que o Copom deve iniciar o ciclo de flexibilização monetária em março. As métricas de serviços voltaram a acelerar, acompanhando a força do mercado de trabalho”, analisa Alexandre Maluf, economista da XP.
Laís Costa, analista de renda fixa da Empiricus Research, destaca que, na média móvel trimestral dessazonalizada e anualizada — métrica mais adequada para medir a inércia dos preços —, a inflação de serviços intensivos em mão de obra está acima de 8%. “Isso não condiz com uma meta de 3%”, avalia.
Segundo Costa, a leitura do mercado é que, tanto em dezembro quanto no ano, o IPCA só se manteve comportado devido ao desempenho dos bens comercializáveis, mais sensíveis ao câmbio. “Ainda há espaço para corte da Selic, mas se a deflação decorre da apreciação da moeda, o BC precisa manter o diferencial de juros elevado”, afirma. “É preciso sustentar um diferencial grande em relação aos EUA, o que limita o espaço para cortes.”
O payroll de dezembro reforçou essa percepção, ao indicar menor probabilidade de redução da meta dos Fed Funds. “Se o juro americano não cair tanto, isso reduz a margem para cortes aqui”, complementa Costa. O relatório mostrou criação de 50 mil vagas em dezembro, ante expectativa de 60 mil, e queda na taxa de desemprego de 4,6% para 4,4%. Já o salário médio por hora subiu 0,33% no mês.
No balanço semanal, o ganho de inclinação na curva de juros futuros concentrou-se na sexta-feira. Frente à semana anterior, o DI para janeiro de 2027 subiu 6 pontos-base, enquanto o DI para janeiro de 2029 permaneceu estável e o de janeiro de 2031 teve leve alta de 1,5 ponto-base.
Mais lidas
-
1VIDA SILVESTRE
Médico-veterinário registra nascimento e primeiros dias de filhotes de tucanuçu
-
2PALMEIRA DOS ÍNDIOS
Prefeitura regulamenta rateio das sobras do FUNDEB e professores cobram transparência nos valores
-
3ENERGIA NUCLEAR
Financiamento nuclear do BRICS liderado pelo Brasil pode reequilibrar acesso a tecnologias
-
4EQUILÍBRIO MILITAR
EUA manifestam preocupação com avanço da aviação embarcada chinesa
-
5INTERNACIONAL
Crescimento econômico da China deve dobrar o dos EUA em 2026, aponta Academia Russa de Ciências