Geral
Papa condena uso de recursos públicos para financiar aborto
Leão XIV também condenou eutanásia e gestação de substituição
Em seu discurso anual ao corpo diplomático credenciado junto à Santa Sé, o papa Leão XIV reafirmou com veemência a posição da Igreja Católica contra práticas que "negam ou instrumentalizam a origem da vida e seu desenvolvimento", como o aborto, a gestação de substituição e a eutanásia.
O pontífice americano classificou como "deplorável" a destinação de recursos públicos para financiar "a supressão da vida", especialmente em projetos que facilitam a "mobilidade transfronteiriça" para acesso ao "assim chamado direito ao aborto seguro".
"O objetivo primário deve permanecer a proteção de cada nascituro e o apoio efetivo e concreto a cada mulher", afirmou o Papa, defendendo que os esforços e verbas sejam canalizados às mães para que elas possam "acolher a vida".
Leão XIV também condenou a prática da gravidez de substituição, quando uma mulher cede o útero para gestar o embrião de outros pais, afirmando que ela transforma a gravidez em "um serviço negociável", violando a dignidade da criança, "reduzida a um produto", e instrumentalizando o corpo feminino.
No Brasil, essa prática é conhecida como barriga solidária, já que não pode envolver transações financeiras, como no caso da barriga de aluguel. Segundo o Papa, a gestação de substituição "altera o processo de relação original da família".
Ao estender a reflexão para o fim da vida, o pontífice defendeu que a resposta às situações de fragilidade e sofrimento deve passar pelos cuidados paliativos e por "políticas de autêntica solidariedade", e não pelo incentivo à eutanásia, que qualificou como "forma ilusória de compaixão".
Em outra passagem do discurso, Leão XIV alertou para uma crescente redução dos espaços para a "autêntica liberdade de expressão" no Ocidente, criticando o surgimento de uma linguagem "de sabor orwelliano" que, em nome da inclusão, acaba por excluir quem não adere a certas ideologias.
"Neste contexto, a objeção de consciência permite ao indivíduo recusar obrigações de natureza legal ou profissional que resultem em conflito com princípios morais, éticos ou religiosos profundamente enraizados", declarou, citando explicitamente a recusa de médicos e profissionais de saúde a praticar aborto ou eutanásia.
"A objeção de consciência não é uma rebelião, mas sim um ato de fidelidade a si mesmo", ressaltou.
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