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Servidores da Abin alertam para riscos às eleições brasileiras após ação dos EUA na Venezuela

Agentes da inteligência brasileira temem interferência estrangeira e denunciam falta de recursos para enfrentar ameaças em meio à instabilidade na América do Sul.

07/01/2026
Servidores da Abin alertam para riscos às eleições brasileiras após ação dos EUA na Venezuela
Servidores da Abin apontam risco de interferência dos EUA nas eleições brasileiras após crise na Venezuela. - Foto: © Foto / Antonio Cruz / Agência Brasil

A ofensiva armada dos Estados Unidos na Venezuela pode impactar diretamente o cenário político e institucional do Brasil, especialmente às vésperas das eleições nacionais, segundo servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), conforme reportagem do site ICL Notícias.

De acordo com a matéria publicada nesta quarta-feira (7), agentes ouvidos destacam que a ação militar dos EUA contra o governo de Nicolás Maduro, sequestrado e levado a julgamento em Nova York, não representa um episódio isolado, mas sim parte de uma mudança profunda na ordem internacional.

O crescente interesse dos EUA em recursos naturais estratégicos, como gás e terras raras, aumenta a apreensão sobre o processo eleitoral brasileiro, segundo os servidores entrevistados.

Relatos apontam que o relatório anual de ameaças, divulgado pela Abin no fim de 2025, já indicava riscos associados à atuação de agentes estrangeiros e de grandes plataformas digitais no ambiente informacional, tendência que pode se agravar com a intervenção na Venezuela.

"Em conversas reservadas, agentes afirmam que há uma preocupação real dentro da agência com a possibilidade de interferência direta dos EUA nas eleições brasileiras. 'É quase garantido que vai interferir, nem que seja por desinformação, propaganda ou dinheiro', disse um dos servidores."

A União dos Profissionais de Inteligência de Estado (Intelis), entidade que representa os servidores da Abin, afirmou em nota que a falta de recursos e investimentos em inteligência institucional em momentos cruciais, como as eleições nacionais de 2026, deixa a agência "de mãos atadas, sem condições tecnológicas, orçamentárias e normativas para exercer suas funções essenciais de assessoramento estratégico e proteção nacional".

O texto ainda destaca que os cortes orçamentários a partir de 2020, que reduziram significativamente o número de fontes da agência no exterior, prejudicam a elaboração de diagnósticos precisos para antecipar decisões estratégicas de outros países.

Outro ponto levantado pelos servidores é a ausência de adidos de inteligência em postos estratégicos, como na própria Venezuela, após o fechamento da embaixada brasileira durante o governo de Jair Bolsonaro.

"A fonte mais nova que a gente tem hoje deve ter sete ou oito anos. Desde então, praticamente não houve crescimento", relatou um servidor. "É trabalhar no escuro".

Os servidores também denunciaram o aparelhamento da agência durante o governo Bolsonaro, com o uso político da inteligência e a chamada operação da “Abin paralela”, atribuída ao então diretor-geral Alexandre Ramagem.

"Além de desgastar a imagem da Abin, o aparelhamento teria comprometido sua capacidade técnica, afastado profissionais e travado investimentos estruturantes. Para eles, a agência ainda não conseguiu se recompor plenamente desse processo", destaca a reportagem.

Por Sputnik Brasil