Geral
Dólar fecha em alta de 0,24% e atinge R$ 5,54 após queda do petróleo
Liquidez reduzida e desvalorização do petróleo pressionam câmbio; BC atua, mas efeito é limitado
A atuação do Banco Central, que vendeu US$ 2 bilhões em dois leilões de linha cambial (venda com compromisso de recompra), chegou a influenciar o dólar a operar em viés de baixa. No entanto, o ambiente de liquidez reduzida após o feriado de Natal levou a moeda americana a inverter o sinal e fechar em alta nesta sexta-feira, 26.
A valorização do dólar frente ao real também refletiu a forte queda do petróleo no mercado internacional, o que impacta negativamente moedas de países exportadores da commodity, como o Brasil. De acordo com operadores, o pregão foi marcado por ritmo típico de final de ano e volume reduzido de negócios, que diminuiu ainda mais durante a tarde.
O dólar oscilou entre a mínima de R$ 5,5208 e a máxima de R$ 5,5668, encerrando o dia com alta de 0,24%, cotado a R$ 5,5446. Na semana, a moeda acumula avanço de 0,27% e, no mês, de 3,93%. No ano, porém, ainda registra queda de 10,28%.
Na terça-feira, 23, o dólar voltou a recuar após sete sessões consecutivas de alta. O cenário de baixa liquidez, intensificado pela saída de remessas ao exterior, colaborou para as valorizações seguidas da moeda americana. O Brasil registrou fluxo cambial negativo de US$ 6,472 bilhões na semana passada, segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central. Entre 15 e 19 de dezembro, o canal financeiro apresentou saídas líquidas de US$ 8,085 bilhões.
Fontes do mercado apontam que o envio de recursos ao exterior ganhou força neste ano devido à mudança tributária sobre dividendos. Para aliviar a pressão sobre o real, o BC realizou, na ocasião, a venda de US$ 500 milhões em dois leilões de linha, injetando liquidez no mercado.
Rodrigo Miotto, gerente de câmbio da Nippur Finance, avalia que "os últimos dias têm mostrado um volume menor de negócios, e qualquer movimento contribui para uma alta ou queda mais exacerbada". Ele acrescenta que o movimento sazonal de envio de lucros e dividendos ao exterior também sustenta o comportamento de alta do dólar.
Na última semana, o Banco Central vendeu US$ 2 bilhões em dois leilões de linha na sexta-feira, 19; US$ 500 milhões, de uma oferta total de US$ 2 bilhões, em leilão na terça-feira, 23; e US$ 2 bilhões em dois leilões de linha não atrelados à rolagem nesta sexta-feira, 26.
Miotto ressalta que, apesar das intervenções do BC, os leilões de linha não têm provocado efeito expressivo na taxa de câmbio diante do ambiente externo e do cenário político doméstico.
A Armor Capital destaca que, no campo político, o principal fato da semana foi a carta manuscrita de Jair Bolsonaro, na qual declarou apoio à pré-candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro, à Presidência da República em 2026. "Nesse contexto, o real apresentou desempenho inferior ao de seus pares", observa a gestora.
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