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Governo Lula publica decreto que abre caminho para socorro aos Correios

Novo decreto permite que estatais em dificuldades operacionais apresentem planos de reequilíbrio financeiro, com possibilidade de aporte do Tesouro, sem perder o status de não dependentes.

09/12/2025
Governo Lula publica decreto que abre caminho para socorro aos Correios
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

O governo federal publicou um decreto que estabelece um novo mecanismo para que empresas estatais federais não dependentes, mas que enfrentam dificuldades operacionais, possam apresentar planos de reequilíbrio econômico-financeiro. O objetivo é permitir eventuais aportes futuros do Tesouro Nacional, sem que essas empresas sejam imediatamente reclassificadas como dependentes.

De acordo com o Ministério da Gestão, "o novo mecanismo cria um caminho estruturado para que empresas estatais federais enfrentem desafios conjunturais sem serem, de imediato, reclassificadas como dependentes do Tesouro Nacional".

Com a nova regra, a aprovação do plano de reequilíbrio econômico-financeiro passa a exigir a apresentação de medidas de ajuste nas receitas e despesas, assegurando a melhoria das condições financeiras e a manutenção da condição de não dependência da empresa.

Para ser aprovado, o plano deve passar pelas instâncias de governança da própria estatal — como o Conselho de Administração e o Conselho Fiscal —, ser submetido à análise técnica e aprovação do ministério supervisor, além de ser enviado ao órgão central do Sistema de Coordenação da Governança das Estatais, para análise e decisão final da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR).

A execução do plano será acompanhada semestralmente pelos órgãos competentes, garantindo o cumprimento das metas e cronogramas estabelecidos.

Segundo o Ministério da Gestão, "a nova versão do decreto abre a possibilidade para que empresas em dificuldades operacionais apresentem planos de reequilíbrio que prevejam aportes pontuais futuros. A medida visa evitar que o suporte se converta em um subsídio permanente, incentivando a empresa a buscar o reequilíbrio no prazo pactuado".

O decreto foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União nesta terça-feira, 9, e altera norma anterior de junho de 2025, regulamentando o processo de transição entre empresas estatais federais dependentes e não dependentes. A alteração foi proposta pelos ministros que integram a CGPAR, comissão responsável pela governança das estatais.

Situação dos Correios

Com prejuízo acumulado de R$ 6,05 bilhões até setembro, os Correios negociam um empréstimo bilionário com bancos para cobrir perdas até dezembro de 2026, financiar um Programa de Demissão Voluntária (PDV), realizar investimentos, rolar dívidas e regularizar pendências com fornecedores.

O plano de reestruturação da estatal ainda depende do aval do Tesouro, que reprovou o empréstimo de R$ 20 bilhões ofertado por cinco bancos a uma taxa de 136% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). O Tesouro exige que os juros não ultrapassem 120% do CDI.

Paralelamente, o governo avalia a possibilidade de aporte direto à empresa para reforçar o caixa em 2025. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o aporte ainda não está definido e pode ser inferior a R$ 6 bilhões.

Como revelou o Estadão, para voltar a registrar lucro em 2027, os Correios precisarão de uma reestruturação que envolva ajustes de R$ 6 bilhões a R$ 8 bilhões no orçamento anual, entre cortes de gastos e aumento de receitas.