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COP30 de Belém registra a quarta maior participação da história

Conferência climática da ONU reuniu mais de 42 mil pessoas presencialmente e destacou protagonismo da sociedade civil brasileira.

09/12/2025
COP30 de Belém registra a quarta maior participação da história
- Foto: Agência Brasil/Divulgação

A participação presencial na COP30, conferência climática da ONU realizada em Belém entre 10 e 21 de novembro, alcançou 42.618 pessoas, de acordo com a lista oficial do evento divulgada nesta terça-feira, 9. Estiveram presentes representantes de 190 países membros da convenção do clima.

Em novembro, a Convenção-Quadro da ONU sobre a Mudança do Clima (Unfccc) havia informado que a conferência teve 56.118 inscritos, vindos de 194 países.

O número de 42 mil corresponde às pessoas que efetivamente compareceram ao local e receberam um crachá físico para circular pela zona azul, área oficial da conferência, em pelo menos um dia do evento. Outros 2.550 participantes acessaram a plataforma virtual do evento pelo menos uma vez, acompanhando a transmissão online.

Esse total representa a quarta maior participação presencial já registrada em uma COP, sendo mais de dez vezes superior ao da primeira cúpula, realizada em 1995, em Berlim, que reuniu cerca de quatro mil pessoas. Apesar disso, o comparecimento foi inferior ao das três edições anteriores, que bateram recordes:

COP-29 (Baku, Azerbaijão): 54.148;
COP-28 (Dubai, Emirados Árabes): 83.884;
COP-27 (Sharm El-Sheikh, Egito): 49.704.

Na edição brasileira, destacou-se a expressiva participação da sociedade civil para além do espaço oficial, com manifestações quase diárias de indígenas e ambientalistas. A Cúpula dos Povos, programação paralela realizada na Universidade Federal do Pará de 12 a 16 de novembro, registrou 25 mil credenciados de mais de 60 países e cerca de 20 mil pessoas circulando diariamente pelo campus, segundo a organização.

O que significa o aumento na participação

O crescimento do público nas conferências climáticas, evidenciado pelos dados da ONU, alterou a dinâmica desses eventos ao longo dos anos.

Enquanto as primeiras cúpulas, nos anos 1990, ocorriam quase sem visibilidade e isoladas do restante da sociedade, as edições mais recentes acompanham a crescente projeção do tema, com maior cobrança por transparência e pressão sobre os tomadores de decisão, segundo especialistas.

Para Ana Flávia Granja e Barros, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), a COP passou a ser uma oportunidade de diálogo entre diferentes atores. "A ampla participação é necessária para a legitimidade dos processos decisórios", afirma.