Geral
Mercado pode enfrentar superexcesso de petróleo em 2026, alerta trader
Relatório da Trafigura aponta que novos projetos e demanda mais fraca podem pressionar ainda mais os preços do petróleo nos próximos anos.
A Trafigura alertou que o mercado global de petróleo pode enfrentar um "superexcesso" em 2026, resultado da entrada de novos projetos de perfuração e de uma demanda mundial em desaceleração, o que tende a pressionar ainda mais os preços.
A companhia, que registrou lucro menor e identificou maior volatilidade nos mercados, projeta que o preço do Brent pode cair abaixo de US$ 60 (R$ 325) antes de iniciar uma recuperação.
De acordo com o economista-chefe Saad Rahim, em entrevista ao Financial Times (FT), o desequilíbrio previsto para 2026 decorre da combinação entre a oferta ampliada por grandes projetos, como os do Brasil e da Guiana, e o crescimento mais lento da demanda, especialmente na China.
O Brent acumula queda de 16% no ano e pode sofrer novas pressões. A China, maior importadora mundial, deve reduzir o ritmo de consumo devido à expansão dos veículos elétricos, embora tenha aproveitado os preços baixos para reforçar seus estoques estratégicos.
Rahim ressalta que a China precisará manter compras elevadas para evitar que o excesso de oferta se manifeste ainda mais cedo. Nos Estados Unidos, o governo busca manter os preços baixos, enquanto o ex-presidente Donald Trump promete ampliar a produção doméstica por meio de uma política de "perfurar, perfurar, perfurar".
A Trafigura reportou lucro líquido de US$ 2,7 bilhões (cerca de R$ 14,62 bilhões) no ano fiscal encerrado em setembro, o menor patamar em cinco anos, após resultados excepcionais motivados pelo conflito na Ucrânia. Já a divisão de metais não ferrosos teve desempenho recorde, impulsionada pelas exportações de cobre para os EUA.
O CEO Richard Holtum destacou que a forte volatilidade, potencializada por notícias, marcou o ano e deve persistir em 2026. Apesar do desempenho operacional positivo, o patrimônio líquido da empresa caiu para US$ 16,2 bilhões (aproximadamente R$ 87,85 bilhões), reflexo do aumento dos pagamentos a funcionários-acionistas, que somaram US$ 2,9 bilhões (mais de R$ 15,73 bilhões).
O programa de recompra de ações foi impactado pelo elevado número de saídas de executivos e gestores sêniores, levando o conselho a desacelerar o ritmo dessas operações. No mercado, o chefe de petróleo da Trafigura, Ben Luckock, prevê que o Brent pode cair abaixo de US$ 60 (R$ 325) e até tocar US$ 50 (R$ 271) entre o Natal e o Ano Novo, antes de eventual recuperação.
Mais lidas
-
1TECNOLOGIA MILITAR
Revista americana destaca caças russos de 4ª geração com empuxo vetorado
-
2TECNOLOGIA
Avião russo 'Baikal' faz voo inaugural com motor e hélice produzidos no país
-
3VIDA SILVESTRE
Médico-veterinário registra nascimento e primeiros dias de filhotes de tucanuçu
-
4EQUILÍBRIO MILITAR
EUA manifestam preocupação com avanço da aviação embarcada chinesa
-
5ENERGIA NUCLEAR
Financiamento nuclear do BRICS liderado pelo Brasil pode reequilibrar acesso a tecnologias