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Após falência do Banco Master, risco de 'efeito dominó' assusta mercado, mas BC garante solidez do sistema
Liquidação foi motivada por fraudes e prisão de controlador em aeroporto; rombo em fundos de previdência chega a R$ 1,9 bilhão e acende alerta para gestão de RPPS
A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro pelo Banco Central (BC), levantou uma dúvida imediata entre investidores e correntistas: após esse colapso, outras instituições financeiras podem seguir o mesmo caminho?
Embora a quebra tenha gerado instabilidade e temor de um "efeito dominó", o Banco Central agiu rapidamente para descartar um risco sistêmico. Segundo a autoridade monetária, o caso do Master é isolado e decorre de fraudes específicas de gestão, não de uma fragilidade estrutural do mercado brasileiro. A instituição representava apenas 0,57% dos ativos financeiros do país, o que, na visão do regulador, blinda os grandes bancos e o sistema como um todo de uma contaminação direta.
A Prisão e a Fraude
O colapso da instituição está ligado à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que desmantelou um esquema de emissão de títulos de crédito falsos e estratégias agressivas de captação, como a oferta de CDBs com taxas muito acima da média para mascarar a falta de liquidez.
O controlador do banco, Daniel Vorcaro, tornou-se o epicentro do escândalo. Natural de Belo Horizonte, o banqueiro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) quando tentava deixar o país.
Quem paga a conta?
Para conter o pânico no varejo, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado. A entidade cobrirá prejuízos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. A estimativa é de um desembolso recorde de R$ 41 bilhões para ressarcir os investidores cobertos.
O "Rombo" na Previdência
Se o pequeno investidor está protegido, o mesmo não se aplica aos cofres públicos. A liquidação revelou uma exposição perigosa de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). Fundos estaduais e municipais aplicaram cerca de R$ 1,9 bilhão em Letras Financeiras do Banco Master — ativos que não possuem cobertura do FGC.
O caso mais grave é o do Rioprevidência, que alocou R$ 970 milhões nesses papéis "podres". O episódio expõe a fragilidade na supervisão de investimentos que garantem a aposentadoria de servidores públicos e deve motivar um "pente-fino" nos portfólios de outros institutos de previdência pelo país para evitar novas perdas.
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