Geral

Tóquio pede calma após radar da China mirar caças japoneses

Incidente envolvendo aeronaves militares aumenta tensões entre Japão e China; Austrália também manifesta preocupação.

08/12/2025
Tóquio pede calma após radar da China mirar caças japoneses
Caça japonês - Foto: Reprodução / Instragram

Japão e Austrália fizeram um apelo por calma neste domingo (7), após aeronaves militares chinesas travarem o radar em caças japoneses, intensificando as tensões entre Tóquio e Pequim. O ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, declarou que o país apresentou um protesto formal, classificando o episódio como "extremamente lamentável" e "perigoso". "Exigimos medidas preventivas rigorosas", afirmou.

Segundo o Ministério da Defesa do Japão, caças chineses J-15 decolaram do porta-aviões Liaoning, próximo à ilha de Okinawa, no sábado, e "intermitentemente" travaram seu radar nos caças japoneses F-15 em duas ocasiões no mesmo dia: por cerca de três minutos no fim da tarde e por aproximadamente 30 minutos à noite.

Os caças japoneses haviam sido acionados para monitorar os jatos chineses, que realizavam exercícios de decolagem e pouso no Pacífico. As aeronaves japonesas mantiveram distância segura e não adotaram ações que pudessem ser vistas como provocação, segundo a agência Kyodo News, citando autoridades. Não houve violação do espaço aéreo japonês, nem registro de feridos ou danos.

O coronel sênior Wang Xuemeng, porta-voz da Marinha chinesa, defendeu o treinamento aéreo próximo à ilha de Miyako, alegando que Pequim havia anunciado os exercícios com antecedência e acusou os japoneses de "assédio".

Durante conversas em Tóquio neste domingo, Japão e Austrália expressaram preocupação com o episódio. "Estamos profundamente preocupados com as ações da China", declarou o ministro da Defesa australiano, Richard Marles, em entrevista coletiva ao lado de Koizumi.

Marles ressaltou que a Austrália "não deseja qualquer mudança no status quo no Estreito de Taiwan" e destacou que, apesar de a China ser o maior parceiro comercial australiano, o país busca manter relações produtivas com Pequim.

No encontro, Japão e Austrália concordaram em fortalecer os laços militares para liderar a cooperação de defesa multilateral na região, formando uma "estrutura de coordenação estratégica de defesa" abrangente.

Tóquio vem acelerando sua expansão militar e ampliando parcerias de defesa além dos Estados Unidos, seu principal aliado. A Austrália é agora considerada um semi-aliado pelo Japão.

O travamento de radar registrado no sábado é considerado o primeiro desse tipo entre aeronaves militares japonesas e chinesas. Em 2013, um navio de guerra chinês já havia mirado o radar em um destróier japonês, segundo a Kyodo. Os caças utilizam radar para busca ou controle de tiro antes do lançamento de mísseis.

Em outra região do Pacífico, a guarda costeira das Filipinas relatou que a China disparou três sinalizadores em direção a um avião do departamento de pesca filipino que patrulhava o Mar do Sul da China no sábado. As forças chinesas utilizam sinalizadores para alertar aeronaves a se afastarem do que consideram seu espaço aéreo sobre águas disputadas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.