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Centro e direita se articulam após recuo de Bolsonaro e isolam projeto de Flávio
Anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro sinaliza retirada de Jair do páreo e abre espaço para novas alianças no campo conservador.
O anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro foi interpretado por líderes do centro e da direita como um sinal claro de que Jair Bolsonaro não pretende levar adiante sua própria candidatura à Presidência em 2026. A movimentação abre espaço para que esses grupos busquem um nome competitivo fora da família Bolsonaro, enquanto o senador admite até mesmo desistir da disputa.
Na última sexta-feira (5), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tornou pública sua pré-candidatura, o que foi lido por dirigentes do centro e da direita como confirmação de que Jair Bolsonaro — que vinha mantendo uma possível candidatura considerada inviável — não deve insistir no pleito.
De acordo com apuração do G1, lideranças desses campos políticos avaliam que o cenário eleitoral está mais aberto, rejeitando a ideia de apoiar o projeto de Flávio e enxergando a possibilidade de construir uma candidatura própria, desvinculada dos Bolsonaro.
Até ser preso pela tentativa de golpe no mês passado, Jair Bolsonaro afirmava que permaneceria candidato até o fim, mesmo inelegível. A indicação do filho como pré-candidato, porém, foi vista como um recuo dessa posição, ao menos temporariamente.
A reação inicial do assessor de Michelle Bolsonaro, coronel André Costa, que contestou a veracidade da notícia, durou pouco. Pouco depois, a própria ex-primeira-dama publicou mensagem apoiando Flávio em sua "nova missão", acompanhada de nota oficial do PL confirmando a pré-candidatura — não sem antes expor o racha na família pela sucessão.
Com a confirmação pública, Costa recuou e admitiu ter se precipitado. O episódio reforçou a percepção de desorganização interna e alimentou avaliações de que a família Bolsonaro atua em "modo desespero", enquanto partidos do centro e da direita se articulam para definir seus próximos passos nos próximos 60 dias.
Dois dias após o anúncio, Flávio Bolsonaro afirmou que pode desistir da disputa, mas que isso teria "um preço", sugerindo que pretende negociar a aprovação de uma anistia para condenados pela tentativa de golpe, incluindo o pai. Ele disse esperar que o tema seja pautado ainda nesta semana no Congresso.
A entrada de Flávio na corrida presidencial não empolgou setores da direita nem o Centrão, que vinham se aproximando de uma eventual candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos), considerado mais competitivo. Analistas avaliam que a movimentação de Flávio pode fragmentar a direita e favorecer a reeleição de Lula.
Por Sputnik Brasil
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