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Coqueluche: em apenas quatro meses, cidade de São Paulo já registrou o dobro de casos do ano passado
Queda na cobertura vacinal pode estar por trás do aumento dos casos da doença, que acomete especialmente crianças abaixo de um ano
Nos primeiros quatro meses deste ano, a cidade de São Paulo já registrou o dobro de casos de coqueluche, se comparado com 2023. Até agora, foram diagnosticados 17 casos e nenhuma morte, contra oito casos no ano passado. Segundo especialistas, a queda significativa na cobertura vacinal contra a doença no país é um dos principais fatores para o surgimento de novas contaminações.
O aumento gerou um alerta, apesar dos números ainda não identificarem um possível surto da doença. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), os casos foram registrados principalmente nas zonas oeste e sul da capital.
Em dez anos, a cobertura vacinal da DTP, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, despencou no Brasil. Em 2012, o país vacinou 93,81% do público-alvo e a Região Sudeste alcançou a maior cobertura (95%). Já em 2022, o índice geral ficou em 77,25% e o Sudeste despencou para 74,79%, mostram os dados do DataSUS (o sistema de informática do Sistema Único de Saúde).
Segundo um informe da Unicef, cerca de 1,6 milhão de crianças não receberam nenhuma dose da vacina entre 2019 e 2021. A vacina tem uma alta taxa de proteção e deve ser dada em três doses em bebês, aos dois, quatro e seis meses, com reforço aos 15 meses e aos quatro anos, de acordo com o calendário do Ministério da Saúde.
A imunidade proporcionada pela vacina, apesar de duradoura, não é permanente e cai após cinco ou dez anos. Por isso, é essencial realizar reforços nos adultos a cada dez anos. A proteção ajuda a reduzir a circulação da bactéria, protegendo especialmente crianças e bebês, que são os principais alvos da doença. Há também uma vacina acelular (dTpa) que as gestantes devem tomar a partir da 20ª semana de gestação e que oferece proteção ao recém-nascido.
A Coqueluche
Causada pela bactéria Bordetella pertussis, que vive na garganta, a coqueluche também é chamada de "tosse comprida" e se caracteriza por crises de tosse seca incontroláveis, intercaladas com a ingestão de ar, que provoca um som agudo, como um guincho ou chiado.
A infecção também pode provocar vômitos e falta de ar, levando à cianose — estado em que a pessoa fica com uma coloração azul-arroxeada pela falta de oxigenação no sangue.
A doença acomete principalmente os menores de um ano, devido ao esquema vacinal incompleto. Dependendo do estado da imunização, ela pode causar pneumonia, convulsões e comprometimento do sistema nervoso, podendo levar à morte.
A transmissão se dá por via respiratória e por gotículas de saliva, expelidas em ações comuns, como fala, tosse ou espirro. O tratamento é feito com antibióticos e, quanto mais precoce, maior a chance de reduzir a gravidade e a transmissibilidade da doença.
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