Geral

Cobertura vacinal contra pólio melhorou no Brasil em 2023, diz Unicef

Houve uma redução de quase 100 mil crianças abaixo de um ano desprotegidas no ano passado, em relação ao anterior

Agência O Globo - GLOBO 23/04/2024
Cobertura vacinal contra pólio melhorou no Brasil em 2023, diz Unicef
Vacina - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O número de crianças brasileiras menores de um ano desprotegidas da poliomielite no Brasil caiu em 2023 em relação ao ano anterior. É o que mostram novos dados divulgados nesta terça-feira pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em evento realizado na sede do Fundo em Brasília, que contou com a participação da ministra da Saúde, Nísia Trindade.

De acordo com o levantamento, nasceram 2,56 milhões de crianças no Brasil em 2022, mas 243 mil delas não receberam a primeira dose contra a pólio. Já no ano seguinte, quando foram 2,42 milhões de nascidos, o número de bebês que não foram protegidos caiu para 152,5 mil, quase 100 mil a menos.

A queda no número de crianças vulneráveis à paralisia infantil reflete uma retomada, ainda que pequena, da cobertura vacinal após anos sucessivos de queda. Segundo dados do DataSUS, plataforma mantida pelo Ministério da Saúde, o Brasil alcançou 98% dos menores de um ano contra a pólio em 2015, porém, desde então, não conseguiu ultrapassar 90% – a meta preconizada pela pasta é de ao menos 95%.

Em 2022, chegou a 77%, o que já foi um avanço em relação aos 71% do ano anterior. Já no ano passado, subiu novamente e alcançou 84,67% do público-alvo. Youssouf Abdel-Jelil, representante da Unicef no Brasil, que esteve no evento desta terça-feira, destaca que ainda há trabalho a ser feito, mas afirma que os números merecem ser celebrados.

“A retomada da imunização no Brasil é um avanço que merece ser comemorado, mostrando um esforço do País para cuidar da saúde de cada criança. Os desafios, no entanto, ainda existem e precisam ser adequadamente abordados. É urgente encontrar e imunizar cada menina e menino que não recebeu as vacinas”, defende em nota.

“Essa busca tem de ultrapassar os muros das unidades básicas de saúde e alcançar outros espaços em que crianças e famílias, muitas em situação de vulnerabilidade, estão. Nesta Semana Mundial de Imunização, destacamos a urgência de um compromisso de País, levando a imunização para escolas, CRAS (Centros de Referência da Assistência Social) e outros locais e equipamentos públicos”, continuou.

A Unicef cita que projetos nessa linha têm sido observados no Brasil, como o “Movimento Nacional pela Vacinação na Comunidade Escolar”. A iniciativa, dos ministérios da Saúde e da Educação, leva imunizantes que fazem parte do calendário da criança e do adolescente para unidades escolares, de modo a atualizar a caderneta dos atrasados.

Segundo a pasta da Saúde, no ano passado quase 4 mil cidades brasileiras adotaram a estratégia e viram resultados positivos, especialmente na vacinação contra o HPV, que protege contra diferentes tipos de câncer. Foram aplicadas mais de 6,1 milhões de doses do imunizante, um aumento de 42% em relação a 2022.