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Acampamento Terra Livre 2023: O grito indígena por demarcação ocupou Brasília

Pelo 19º ano, ATL levou indígenas de todo o país à capital federal para pressionar o governo e o Congresso por direitos

Anna Beatriz Anjos, da Agência Pública 05/05/2023
Acampamento Terra Livre 2023: O grito indígena por demarcação ocupou Brasília
Foto: João Canizares

Os indígenas querem mais. Mais terras demarcadas, mais garantia de direitos, mais força para barrar iniciativas parlamentares anti-indígenas. Essas são as principais conclusões da 19ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), a maior assembleia indígena do país, que aconteceu entre os dias 24 e 28 de abril, em Brasília.

A reportagem da Agência Pública cobriu os cinco dias de acampamento e acompanhou as reivindicações dos povos originários. Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar a homologação de seis terras, os indígenas devem agora pressionar por um cronograma de demarcação dos cerca de 840 outros territórios que estão na fila para serem reconhecidos pelo Estado brasileiro, em diversas etapas do processo.

Também está nas prioridades cobrar a atuação do governo para derrubar o marco temporal, tese jurídica que pode impedir a demarcação de novas terras e cujo julgamento deve ser retomado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 7 de junho; e para articular a rejeição a projetos de lei anti-indígenas no Congresso.

Neste ensaio, o fotógrafo João Canizares capturou para a Pública os principais momentos do acampamento.

Imagem mostra quatro homens indígenas caracterizados com adereços e pinturas tradicionais em roda

Indígenas em concentração para marcha ao Congresso Nacional no primeiro dia de ATL

Imagem mostra dois indígenas de costas para a câmera, olhando para o Congresso Nacional. Os dois indígenas usam adereços de cabeça tradicionais. Há uma bandeira do Brasil em hasteada em frente ao prédio
Imagem com foco nas penas de um adereço de cabeça tradicional indígena

Diante do Congresso Nacional, os indígenas pediram a derrubada de projetos de lei que ameaçam seus direitos, como os PLs dos agrotóxicos (6299/2002) e da regularização fundiária (2633/2020)

Homem indígena com o corpo pintado com tinta preta e uma única faixa de tinta vermelha na altura dos olhos e nariz. Ele usa adereço de cabeça tradicional

Cerca de 6 mil indígenas de todas as partes do país compareceram ao acampamento, que acontece todos os anos desde 2004 — quando Lula ainda estava em seu primeiro mandato como presidente

Homem indígena em meio a passeata no ATL carrega placa com a seguinte frase: "a resposta somos nós"
Homens indígenas em meio a passeata no ATL carregam placas com as seguintes frases: "demarcação é mata atlântica" e "demarcação é futuro"
Mulher indígena em meio a passeata no ATL carrega placa com a seguinte frase: "demarcação é caatinga"
Criança indígena em meio a passeata no ATL carrega placa com a seguinte frase: "demarcação já! nossa segurança é nosso território"

O movimento indígena clamou novamente pelo avanço das demarcações, sua principal pauta histórica, que ficou paralisada durante os governos de Temer e Bolsonaro. Eles querem o reconhecimento de seus territórios em todos os biomas

Mulheres indígenas com pintura tradicional no corpo caminham lado a lado no ATL
Imagem mostra indígenas de costas para a câmera, olhando para o Congresso Nacional durante o ATL

Esta foi a primeira edição do ATL a acontecer após a criação do inédito Ministério dos Povos Indígenas e de representantes dos povos originários terem assumido o comando da Funai e Sesai