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Perrella defende torcida única em clássico mineiro, mas não vê decisão definitiva
Presidente do Conselho Deliberativo e diretor de futebol do Cruzeiro, Zezé Perrella defendeu nesta quarta-feira a opção pela torcida única em clássicos com o Atlético-MG, mas ponderou que a decisão não é definitiva. “É uma atitude antipática”, admitiu o dirigente cruzeirense.
A decisão de jogar os próximos clássicos mineiros com apenas um torcida nas arquibancadas foi proposta por Perrella na terça. Segundo o cruzeirense, o presidente do Atlético, Sérgio Sette Câmara, aceitou a proposta.
“A partir de agora vamos jogar as partidas entre nós somente com torcida única. E, por favor, não entendam isso como uma forma de privar a entrada de público adversário no estádio, mas sim a de preservar a integridade daqueles torcedores que vão aos jogos com suas famílias para um momento de emoção e lazer”, anunciou Perrella, em comunicado.
Ele justificou a decisão, após a confusão ocorrida no clássico de domingo, pelo Brasileirão. Houve confronto dentro e fora do Mineirão e até um episódio de racismo no estádio. “Queremos, sim, privar o acesso de pseudo torcedores e marginais que se travestem de emoção e paixão pelo clube para dilapidar o patrimônio, agredir pessoas sem mensurar consequências. Se fossem realmente apaixonados, eles não colocariam seus clubes em risco de perda de mando de campo e outros prejuízos mais.”
Perrella, contudo, apontou que a decisão não será permanente. “É uma atitude antipática no sentido de punir os baderneiros que quase nunca são alcançados pelo nosso Código Penal, com raras exceções. Isto não pode ser uma decisão eterna, mas uma medida imediata para que juntos com os demais torcedores, imprensa, autoridades policiais e políticas possamos encontrar um melhor caminho rapidamente. E este não é um problema exclusivamente mineiro, é uma preocupação mundial.”
O clássico do último fim de semana foi marcado por brigas e confusões com as torcidas antes, durante e depois do jogo, que terminou em 0 a 0. O conflito que mais chamou a atenção aconteceu dentro do próprio Mineirão, quando torcedores do Atlético-MG invadiram o setor de camarotes destinados aos cruzeirenses – aparentemente uma garrafa teria sido atirada do lado da torcida mandante. A Polícia Militar teve de conter a confusão com bombas e gás de pimenta. Houve diversos feridos e duas pessoas foram detidas. No total, 65 pessoas foram presas dentro e fora do Mineirão com diferentes incidentes.
“No Brasil, os torcedores radicais definiram que seus clubes estão proibidos de perder, senão jogadores, técnicos, dirigentes e às vezes até mesmo a imprensa estão condenados a apanhar nos aeroportos ou em seus próprios centros de treinamento. Precisamos dar um basta nisso! E caso venha alguém ou algum órgão contra essa decisão emergencial, que se assine um termo de responsabilidade sobre tudo o que vem acontecendo e nos deem garantias para que possamos continuar nessa irracionalidade”, disse Perrella.
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