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Wagner Moura: Cuba é mais complexa do que falam
Wagner Moura conhecia a história dos cubanos que formaram uma rede e se infiltraram em organizações anticastristas em Miami, retratada em Wasp Network, filme do francês Olivier Assayas, produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, baseado no livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria, de Fernando Morais, e exibido na competição do 76º Festival de Cinema de Veneza. “Tinha lido o livro e me lembrava bem quando os caras foram presos em Miami”, disse o ator ao Estado, em Veneza.
No filme, ele interpreta o ambíguo Juan Pablo Roque, um tenente-coronel da Força Aérea cubana que nadou até a base americana de Guantánamo, pediu asilo e acabou se mudando para Miami, onde se casou com Ana Margarita Fernandez (vivida pela atriz cubana Ana de Armas) e trabalhou para evitar a ação dos grupos anti-Fidel Castro que estavam fazendo ataques a Cuba.
No elenco estão o venezuelano Édgar Ramirez (Carlos) no papel de René González, que deixou a mulher Olga (a espanhola Penélope Cruz) e a filha em Cuba para cumprir sua missão, além do mexicano Gael García Bernal e o argentino Leonardo Sbaraglia. A seguir, trechos da entrevista com Wagner Moura:
Juan Pablo é muito ambíguo. Como foi sua abordagem?
Tinha lido o livro, mas não sabia mais nada sobre ele. Li outros livros, inclusive o que o próprio Juan Pablo escreveu. Pesquisei muito sobre Cuba nos anos 1990, com o fim da União Soviética. Fui a Cuba. A direita diz que Cuba é um lixo, a esquerda diz que é um paraíso, e não é nada disso. É tudo muito mais complexo do que falam. E, exatamente como fiz quando interpretei Pablo Escobar, esqueci de tudo isso depois de um tempo e passei a pensar em quem era o personagem.
Você já conhecia Cuba?
Não. O pessoal do Brasil me manda muito ir para Cuba. Aí eu fui! (risos) Mas para pesquisar e fazer o filme, como tinha feito com a Colômbia em Narcos. Vou com meu filme Marighella ao Festival de Havana. Mas não conhecia Cuba.
O que mais surpreendeu?
É difícil falar de Cuba sem ser simplista. Os ideais da Revolução Cubana são muito bonitos e seguem presentes na vida, sobretudo das pessoas da minha geração. Os mais jovens começam a perder isso, até porque o sistema educacional vai mudando. A gente estava em Cuba quando o 3G chegou. O ritmo de Havana estava se transformando. Os Castros não estão mais no poder. É um país em transformação. Mas há várias questões. O fato de eu viver num hotel de luxo em Cuba, onde os cubanos não podem entrar direito, me parecia estranho. Vivenciei a desigualdade social em Havana. Mas é muito complexo.
O elenco de Wasp Network é praticamente os Vingadores da América Latina. Como foi?
(risos) Essa parte foi tão boa! O Leonardo da Argentina, o Gael do México, o Édgar da Venezuela. Ana, de Cuba. Penélope é da Espanha, mas também é latina. E a gente em Cuba! Com a Venezuela pegando fogo. A política era sempre um assunto, porque Édgar, Gael e Olivier, sobretudo, pensam muito a política. Então nossa vida era permeada por rum, risada, alegria de estarmos nós, latinos, juntos. Quando a gente passou no tapete vermelho aqui, pensei nisso, que havia ali uma declaração política, porque os latinos são sub-representados no cinema.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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