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MP vê falta de provas e devolve inquérito sobre incêndio em CT do Fla à polícia
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) devolveu à Polícia Civil o inquérito que investiga as responsabilidades pelo incêndio no Ninho do Urubu, o CT do Flamengo, que ocorreu em fevereiro, vitimando dez atletas da base, além de deixar outros três feridos. Assim, novas diligências precisarão ser feitas nos próximos 45 dias.
Assinado pelo delegado Márcio Petra, da 42ª Delegacia de Polícia (Recreio dos Bandeirantes), o inquérito remetido ao MPRJ no mês passado apontava oito culpados. Entre os indiciados estava o ex-presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello. O ex-cartola, três funcionários do clube, três engenheiros da empresa que forneceu os contêineres que incendiaram e um técnico em refrigeração foram apontados pela polícia como responsáveis por dez homicídios com dolo eventual (quando se assume o risco de matar) e 14 tentativas de homicídio (considerando o número de atletas que estavam no Ninho do Urubu e sobreviveram).
Para o Ministério Público, no entanto, faltam provas que sustentem as acusações. Em nota, o MPRJ informou que, “a despeito do bem elaborado relatório policial, restam alguns aspectos que merecem ser melhor esclarecidos para a adequada responsabilização penal e definição da capitulação dos fatos ocorridos”.
Ao devolver o inquérito à Polícia Civil, os promotores do Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (Gaedest) pediram que sejam colhidos depoimentos de Lucia Helena Pereira Damasceno de Lima, gerente da 5ª Gerência de Licenciamento e Fiscalização da Prefeitura do Rio, e de Fernando Anmibolete, presidente da Associação dos Profissionais de Ciência e Tecnologia (Asprocitec). O Gaedest quer confirmar com a servidora a informação de que os dirigentes do Flamengo não cumpriram um auto de interdição do Ninho de Urubu. A Asprocitec, por sua vez, afirmara que a NHJ, empresa que construiu os contêineres que abrigavam os atletas, não estava regularizada junto ao Conselho Regional de Engenharia.
O MPRJ também pediu que seja feita consulta ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli para esclarecer se o mobiliário do alojamento incendiado colaborou para a propagação das chamas, agravando a situação no local, bem como a elaboração de autos de exame de corpo de delito indiretos, com base em informações dos boletins de atendimento médicos das vítimas sobreviventes.
Autor: Marcio Dolzan
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