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Fernanda: postura do Copom tem sido clara quanto aos riscos para a economia
A economista Fernanda Feitosa Nechio, indicada para a diretoria de Assuntos Internacionais do Banco Central, avaliou nesta terça-feira, 2, que a postura do Comitê de Política Monetária (Copom) da autarquia tem sido clara quanto aos riscos atuais para a economia. Segunda ela, as decisões do colegiado sobre a Selic (a taxa básica de juros) são transparentes.
“As decisões do Copom são baseadas na situação econômica corrente, nas possíveis trajetórias para a economia e no balanço de riscos”, afirmou, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Fernanda citou que, no balanço de riscos atual do BC, há preocupações quanto ao crescimento da economia, que foi interrompido, e quanto a outros fatores que podem pressionar a inflação. “A situação externa, com conflitos comerciais e geopolíticos, põe pressão sobre o Brasil”, disse a economista. “Este balanço de riscos está por trás do processo decisório (sobre juros) no Brasil e em outros países”, acrescentou.
Ao tratar do nível da Selic, atualmente em 6,50% ao ano, e da inflação corrente, Fernanda pontuou que “não existe crescimento sustentável sem estabilidade de preços”. “Não consigo apontar país no mundo com crescimento sem estabilidade de preços”, disse.
Câmbio
Fernanda pontuou que o regime de câmbio no Brasil é flutuante e que “não há objetivo de atingir um nível de câmbio ótimo”.
Fernanda lembrou que regime de metas do Conselho Monetário Nacional (CMN) define como missão da instituição atingir a meta de inflação. Neste regime, segundo ela, o câmbio é flutuante. O comentário surgiu após um senador presente na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado questionar se o câmbio poderia ser utilizado para o desenvolvimento da atividade econômica.
Fernanda pontuou ainda que as reservas internacionais brasileiras, hoje na casa dos US$ 388 bilhões, funcionam como um “colchão de segurança” para o País. “Em momentos de instabilidade, ter colchão de segurança é importante para os países emergentes”, disse.
A economista lembrou que o Brasil, em outros momentos, foi protegido de crises por este colchão de segurança. Ao mesmo tempo, ela afirmou que não há consenso sobre o “nível ótimo” das reservas internacionais. “O nível de reservas internacionais do Brasil não é muito diferente do de outros emergentes”, acrescentou Fernanda. Segundo ela, o custo de carregamento das reservas também está em seu nível histórico mais baixo. “A manutenção do nível de reservas é fator muito positivo”, acrescentou.
Autor: Fabrício de Castro
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