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Quilombolas são beneficiados com acesso à internet em telecentro

Daniela Bezerra, da comunidade quilombola, pretende entrar no mercado de trabalho e considera que curso de informática lhe dará mais oportunidades (Fotos: Ascom Secti)
Os quilombolas da comunidade Cajá dos Negros, localizada a 25 km da cidade de Batalha, no Sertão de Alagoas, contam com acesso à internet desde janeiro deste ano graças ao telecentro instalado no povoado. A estrutura faz parte do Programa Alagoano de Inclusão Digital, umas das ações estratégicas do Programa Alagoas Tem Pressa, do Governo de Alagoas. Hoje, são 53 unidades em funcionamento em todo o estado.
Entre as 65 comunidades quilombolas em Alagoas, a do Cajá dos Negros tem 400 pessoas – cerca de 100 famílias. No povoado, a presença da Associação Quilombola Cajá dos Negros, onde o telecentro está implantado, faz toda a diferença, pois graças ao serviço de satélite os moradores podem se conectar com o mundo.
O orgulho das raízes é visível no povoado. Os descendentes de negros escravos trazidos ao Brasil, que fazem parte da Cajá dos Negros, declaram que querem continuar na comunidade, mantendo a tradição, a cultura e as origens, mas necessitam de chances para se capacitar e trabalhar, o que foi facilitado pelo telecentro.
Cursos de hortas medicinais e alimentação certa
A presidente da Associação, Ivaniza Leite da Silva, explica que o acesso à internet no telecentro facilitou a realização de cursos que beneficiam a comunidade. “A gente pode correr atrás de parcerias para beneficiar nosso povo, porque o objetivo da Associação Quilombola Cajá dos Negros é a geração de renda para a comunidade. Já consegui realizar pela internet curso de hortas medicinais e de alimentação certa”, conta.
Além desses cursos, o telecentro já formou duas turmas na capacitação de informática básica. Daniela da Silva Bezerra, 22 anos, completou o 3º ano do Ensino Médio. Apesar de estar só como dona de casa, pretende entrar no mercado de trabalho. Para isso, se matriculou no curso de informática básica no telecentro. “Não tenho computador em casa e nunca havia mexido em um, até chegar aqui. Hoje em dia, tudo é feito com a internet e para trabalhar precisa saber mexer no computador”, disse. “Pretendo arrumar emprego em alguma loja na cidade e o curso vai me ajudar”, conta.
Para o menino Jailson Henrique dos Santos, 9 anos, o telecentro o ajudou a aprender palavras novas, que lhe renderam a produção de um poema. O garoto sonha em ser médico “para cuidar dos quilombolas do povoado”. Jailson disputava o computador junto a Jamerson Pereira Ferreira, também de 9 anos.
A comunidade Cajá dos Negros recebeu a visita do secretário da Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, Eduardo Setton, na última sexta-feira (13). Setton foi conhecer de perto o trabalho do telecentro em benefício dos negros quilombolas. De acordo com o secretário, é impressionante ver o que a internet pode trazer de bom para uma comunidade ainda muito isolada. “É um trabalho muito gratificante, porque a gente percebe que ações contínuas podem mudar a realidade deles pra melhor”, declarou.
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