Finanças
Copa 2026: 6 dicas para aproveitar o Mundial sem comprometer as finanças
Especialistas alertam para armadilhas financeiras comuns durante grandes eventos esportivos e explica como organizar os gastos sem comprometer o orçamento
A Copa do Mundo de 2026 ainda nem começou, mas já impacta o bolso dos brasileiros. Pesquisa da CNDL e SPC Brasil mostra que 60% dos consumidores pretendem gastar com o evento, mesmo em um cenário de alta inadimplência. Ao mesmo tempo, levantamento da Equifax BoaVista aponta que o comprometimento da renda das famílias atingiu 86,1% no primeiro trimestre deste ano.
Para Patrick Santos, doutor em economia e gerente de planejamento da Multimarcas Consórcios, o maior risco está no chamado “consumo emocional”. “Grandes eventos como a Copa costumam provocar um sentimento coletivo de urgência no consumo. Muitas pessoas acabam associando participação à necessidade de gastar, seja com viagens, confraternizações e eletrônicos. O problema é que, sem planejamento, esse impacto emocional pode comprometer a saúde financeira por muitos meses”, afirma.
Segundo o especialista, algumas medidas práticas podem evitar que a empolgação do Mundial se transforme em endividamento:
- Some os ‘pequenos gastos invisíveis’ antes da Copa começar
Em vez de olhar apenas para compras grandes, faça uma projeção completa do período: alimentação, encontros com amigos, transporte, apostas, streaming, aplicativos e compras por impulso. O problema financeiro da Copa normalmente não nasce em uma compra alta, mas no acúmulo de despesas pequenas que fogem do controle.
- Não compre eletrônicos motivado apenas pelo evento
Segundo o especialista, trocar televisão ou celular apenas para acompanhar os jogos costuma ser uma decisão emocional.
- Evite antecipar férias, 13º ou reserva de emergência
Muitos consumidores usam recursos futuros para financiar viagens, confraternizações ou compras relacionadas ao Mundial. “Usar dinheiro que ainda nem entrou ou mexer na reserva para consumo temporário aumenta muito o risco de desequilíbrio financeiro depois do evento.”, frisa.
- Estabeleça um limite semanal
Um erro comum é criar um orçamento geral para a Copa sem controlar os gastos ao longo das semanas. Quando o consumidor divide os limites por jogo ou por semana, ele consegue visualizar melhor os excessos antes que eles se tornem um problema.
- Quem já está endividado deve evitar ‘parcelas emocionais’
Para consumidores inadimplentes, o cuidado precisa ser ainda maior. A sensação de que uma parcela pequena cabe no orçamento é perigosa para quem já está financeiramente pressionado. Nesse caso, a prioridade deveria ser reorganizar as finanças, e não criar novos compromissos.
- Cuidado com as apostas esportivas
Com a chegada da Copa do Mundo, naturalmente haverá um aumento do interesse pelas apostas esportivas, porque o evento reúne fatores que aumentam o engajamento emocional e impulsionam apostas: grande volume de jogos, publicidade massiva, influência de influenciadores, sensação de “oportunidade rápida” de ganho e maior participação de jovens nas plataformas. “Quando a aposta passa a ser vista como uma extensão da torcida ou como uma forma rápida de ganhar dinheiro, o risco deixa de ser apenas financeiro e passa a impactar saúde mental, relações familiares e qualidade de vida” fala Cristiano Costa, psicólogo e diretor de conhecimento da EBAC (Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo).
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