Finanças

Jogo do Brasil na Copa dá direito a folga? Entenda direitos e negociações com empregadores

Horas podem ser compensadas ou abonadas pelas empresas durante a competição

Agência O Globo - 20/05/2026
Jogo do Brasil na Copa dá direito a folga? Entenda direitos e negociações com empregadores
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Com a chegada de mais uma edição da Copa do Mundo, muitos trabalhadores brasileiros se questionam: será possível assistir aos jogos do Brasil? A resposta depende da política de cada empresa, tornando essencial uma comunicação transparente entre empregadores e empregados. Neste ano, os jogos acontecem nos Estados Unidos, México e Canadá, países com fuso horário próximo ao de Brasília, o que aumenta a chance das partidas coincidirem com o expediente comercial.

Fora da Copa:

Na fase de grupos, a seleção brasileira estreia contra o Marrocos no sábado (13 de junho), às 19h, e encerra a fase jogando contra a Escócia na quarta (24), também às 19h. O segundo compromisso, diante do Haiti, será na sexta-feira (19), às 21h30. Caso avance em primeiro lugar, o Brasil pode jogar novamente numa segunda-feira (29 de junho), às 14h.

Não é feriado

É importante destacar que os dias de jogos não são considerados feriados, e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não determina a obrigatoriedade de liberação dos funcionários. Se a dispensa ocorre por iniciativa da empresa, o empregador geralmente abona essas horas, conforme explica o advogado trabalhista Fabio Medeiros, sócio do escritório Lobo de Rizzo.

“O ponto principal é entender de quem partiu a iniciativa. Se a empresa decide liberar os empregados durante o jogo da seleção brasileira, o mais natural é que essas horas sejam abonadas, sem desconto salarial ou punição ao trabalhador”, afirma Medeiros.

Segundo o especialista, o mais comum é que as empresas proponham a compensação das horas não trabalhadas para assistir aos jogos.

“É prática permitir que os empregados compensem essas horas no mesmo dia, ao longo da semana ou do mês, conforme as regras do banco de horas. Em alguns casos, a compensação pode ocorrer em até seis meses ou um ano, desde que prevista em acordo coletivo ou convenção coletiva com o sindicato”, detalha.

Assistir ao jogo pode gerar demissão?

Se o empregado interromper o trabalho para assistir ao jogo sem negociação prévia, pode enfrentar problemas, como advertência, desconto no salário ou até demissão.

“O empregador pode descontar as horas não trabalhadas e aplicar sanções disciplinares, como advertência ou suspensão, dependendo da gravidade. Em atividades essenciais ou funções críticas, a ausência pode justificar punições mais severas, inclusive justa causa, caso haja prejuízo relevante”, alerta Medeiros.

Empregados sem controle de ponto

Para trabalhadores sem controle de jornada, como aqueles em teletrabalho, home office ou regimes especiais, a organização tende a ser mais flexível. Ainda assim, Medeiros recomenda que haja negociação clara sobre a possibilidade de se ausentar durante as partidas, a reorganização das entregas ou a necessidade de disponibilidade em determinados horários.