Finanças

Lula defende exploração de petróleo na Margem Equatorial e critica venda da BR Distribuidora

Presidente afirma que, com a antiga estatal, seria mais fácil influenciar preços dos combustíveis e reforça necessidade de garantir soberania sobre reservas nacionais

Agência O Globo - 19/05/2026
Lula defende exploração de petróleo na Margem Equatorial e critica venda da BR Distribuidora
- Foto: © Foto / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial, localizada na costa de estados amazônicos. Durante evento na refinaria da Petrobras em Paulínia (SP), Lula também criticou a venda da BR Distribuidora durante o governo de Jair Bolsonaro, ressaltando o impacto da medida sobre a capacidade do governo de influenciar os preços dos combustíveis.

Lula destacou que, à época, a BR Distribuidora detinha cerca de 30% do mercado nacional de combustíveis e empreendimentos, além de quase oito mil postos em todo o país. Segundo ele, o estado era um instrumento importante para o governo atuar no setor.

— A guerra do Irã é culpa de Trump. Não é culpa do brasileiro, mas se a gente teve o BR, seria muito mais fácil. Estamos dando quatro botijões de gás para as pessoas que utilizam, sabe? Mas se a gente tivesse o BR, seria muito tranquilo usar os postos da BR para distribuir o gás, sem pagar o custo do transporte, como ocorre hoje — afirmou Lula.

Visita à refinaria

Durante o discurso em Paulínia, Lula reforçou a necessidade de explorar a Bacia da Margem Equatorial, no Norte do país. Em tom descontraído, comentou que as reservas podem atrair a cobiça de líderes internacionais, citando o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, com quem teve encontro recente.

— Não podemos deixar uma riqueza que está a quase 500 metros da nossa margem. Daqui um pouco, o Trump vem e acha que é dele. Ele achou que o Canadá era dele, achou que a Groenlândia era dele, achou que o Golfo do México era dele, o canal do Panamá — afirmou Lula.

Defesa da soberania e abertura de investimentos

Antes do evento em Paulínia, Lula participou de agenda em Campinas, também no interior paulista, onde voltou a defender o controle nacional sobre terras-raras. O presidente, no entanto, afirmou que o Brasil está aberto a investimentos estrangeiros no setor de minerais críticos, fundamentais para a indústria tecnológica e para a transição energética.

— Fazemos com que o Trump pare de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós, para que possamos explorar aqui. Não temos veto nem preferência por ninguém. Pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano, quem quiser. Desde que todos entendam que o Brasil não abre mão da sua soberania — concluiu Lula.