Finanças
Correios preparam novo Plano de Demissão Voluntária focado em unidades que serão fechadas
Programa será direcionado a agências e centros logísticos atingidos pelo plano de fechamento da estatal
Após o resultado aquém do esperado na primeira edição do programa, a direção dos Correios deve anunciar em breve um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV), desta vez voltado especificamente para as unidades que serão desativadas. Serão cerca de mil agências e centros de tratamento e distribuição de cargas atingidos pela medida.
A abertura do novo PDV ocorre após o encerramento do programa iniciado neste ano, que contou com a adesão de 3.075 funcionários, bem abaixo da meta inicial de dez mil desligamentos.
Até o fim de 2027, a estatal pretende desligar um total de 15 mil trabalhadores, com expectativa de gerar uma economia de R$ 1,4 bilhão. Caso não consiga cortar gastos e ampliar receitas, a direção dos Correios não descarta recorrer a demissões motivadas pela situação financeira delicada.
No ano passado, a empresa registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões. A previsão é que o déficit se aproxime de R$ 10 bilhões em 2024, mesmo com a reestruturação em andamento sob a nova gestão.
Negociações em andamento
Os detalhes do novo PDV estão sendo discutidos com a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), vinculada ao Ministério da Gestão. A tendência é que as condições oferecidas não sejam superiores às do programa anterior.
Segundo a direção da estatal, o plano de reestruturação — exigência para liberação do empréstimo bancário de R$ 12 bilhões obtido em dezembro — está sendo implementado conforme o previsto. Além do PDV, houve redução de despesas com horas extras e a adoção de um novo plano de cargos e salários.
Para manter as obrigações em dia com fornecedores, prestadores de serviço e a folha de pagamento, os Correios negociam outro empréstimo, de R$ 7 bilhões, com aval da União, previsto para o primeiro semestre deste ano.
Foco na geração de receitas
Com o objetivo de ampliar receitas, a empresa trabalha na formalização de oito parcerias, incluindo a venda de produtos nas agências. A estatal também pretende alugar infraestrutura ociosa, como galpões, para órgãos públicos, estados e municípios.
Além disso, algumas agências no interior estão sendo repassadas aos municípios por meio de convênios, nos quais as prefeituras assumem a administração e são remuneradas pelos Correios, em um modelo semelhante ao de franquia.
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