Finanças

Almoço entre Trump e Lula vai de filé grelhado a pêssegos caramelizados; confira o menu

Cardápio evidencia inflação da carne nos EUA. Nos bastidores, Joesley Batista, da JBS, articulou o encontro

Agência O Globo - 07/05/2026
Almoço entre Trump e Lula vai de filé grelhado a pêssegos caramelizados; confira o menu

O almoço entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente americano Donald Trump, ocorrido nesta quinta-feira após reunião na Casa Branca, teve como destaque o filé de carne vermelha, embora o cardápio também oferecesse opções vegetarianas.

Simbolismo do cardápio:

O prato principal à base de carne bovina é simbólico, uma vez que Estados Unidos e Brasil são os dois maiores produtores mundiais e detêm os maiores rebanhos do planeta.

A brasileira JBS, da família Batista, é proprietária de frigoríficos americanos. O aumento das tarifas sobre as exportações brasileiras, incluindo a carne bovina até o fim do ano passado, contribuiu para impulsionar a inflação da proteína no mercado americano.

Veja o menu servido na Casa Branca:

Entrada
Salada de alface-romana com jicama (raiz crocante típica da culinária mexicana), gomos de laranja, abacate e molho cítrico.

Prato principal
Filé bovino grelhado, purê de feijão-preto, mini pimentões doces, relish agridoce de rabanete com abacaxi e legumes variados.

Sobremesa
Pêssegos caramelizados e torta de panna cotta com mel, acompanhada de sorvete de crème fraîche.

Carne, vilã da inflação nos EUA

No ano passado, a disparada dos preços da carne nos EUA persistiu até o fim do ano. Nos últimos meses, houve alívio: em março, as carnes em geral registraram queda de 0,9% no acumulado em 12 meses, segundo o CPI americano.

A sobretaxa sobre as exportações de carne do Brasil para os EUA pode ter influenciado o cenário. Os americanos são os maiores produtores, enquanto os brasileiros lideram as exportações. Os EUA não costumam importar grandes volumes, mas adquirem cortes menos nobres do Brasil para complementar a produção de carne moída e hambúrgueres.

Em novembro, após pressão dos importadores americanos, houve revisão das tarifas. Em fevereiro deste ano, a maior parte dos produtos foi liberada após decisão judicial que considerou inconstitucional a base legal de boa parte do tarifaço.

Apesar do alívio recente, os preços da carne bovina seguem elevados nos EUA. O ciclo de produção é um dos fatores: o rebanho americano está em queda, encarecendo o boi vivo, e a ampliação da oferta depende do tempo de crescimento dos animais até o abate.

Investigação contra frigoríficos

Nesta semana, o Departamento de Justiça dos EUA abriu investigação sobre a indústria de processamento de carne no país.

Estão sob análise os principais frigoríficos que operam nos EUA, como a brasileira JBS e a National Beef, subsidiária da brasileira Marfrig, que se uniu à BRF para formar a MBRF. Também integram o grupo as americanas Tyson e Cargill.

Nos bastidores, Joesley Batista, um dos donos da JBS, atuou para viabilizar o encontro. Embora não faça parte da comitiva oficial brasileira, sua presença foi notada.