Finanças

Moraes suspende análise de novo recurso sobre revisão da vida toda do INSS

STF analisa novo recurso contra decisão que derrubou tese de recálculo de benefícios do INSS com contribuições anteriores a 1994

Agência O Globo - 07/05/2026
Moraes suspende análise de novo recurso sobre revisão da vida toda do INSS
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o julgamento de mais um recurso relacionado à "revisão da vida toda" do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes. A Corte analisa contestações à decisão que invalidou a tese que permitia aos segurados incluir contribuições feitas antes de julho de 1994 no cálculo de aposentadorias e outros benefícios previdenciários.

Entenda a revisão da vida toda

A chamada "revisão da vida toda" autorizava a inclusão, no cálculo dos benefícios previdenciários, de salários anteriores a julho de 1994, período anterior à implantação do Plano Real. Em 2022, o STF havia validado essa possibilidade. No entanto, em abril de 2024, ao julgar outra ação relacionada ao fator previdenciário, o Supremo mudou de entendimento e determinou que a regra que considera apenas contribuições a partir de 1994 é obrigatória, afastando a opção de cálculo mais vantajoso para o segurado.

O recurso em análise

O plenário virtual do STF analisava um recurso apresentado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) contra a decisão que derrubou a tese em 2024. Antes da suspensão, o placar estava em 4 a 1 contra o pedido. O ministro Dias Toffoli foi o único a defender, de forma restrita, a aplicação da revisão para segurados que ingressaram na Justiça entre dezembro de 2019 e abril de 2024, período em que havia decisões favoráveis ao recálculo dos benefícios.

Impacto sobre segurados

Ao divergir da maioria, Toffoli argumentou que a mudança de entendimento do Supremo impactou diretamente segurados em situação de vulnerabilidade. Segundo o ministro, é necessário considerar o efeito da decisão sobre aposentados e pensionistas que confiaram na jurisprudência anterior.

“Precisamos ter em conta o perfil das pessoas atingidas pela mudança de entendimento do Tribunal: pessoas idosas, de baixa renda, trabalhadores rurais, pensionistas em situação de vulnerabilidade econômica”, afirmou Toffoli.

O ministro também relatou que tem recebido mensagens de segurados que ingressaram com ações judiciais com base no entendimento anterior e que agora enfrentam dificuldades financeiras após a reversão da tese.

Com o pedido de vista, ainda não há data para o julgamento ser retomado. Alexandre de Moraes tem o prazo regimental de 90 dias para devolver o processo à análise do STF.