Finanças
Robôs humanoides: estrelas da Hannover Messe, eles inauguram a era da IA física
Nova geração de humanoides supera a fase da inteligência artificial generativa. Avanços recentes trouxeram habilidades novas aos robôs como identificar objetos, reconhecer pessoas e se locomover
Eles estavam por toda parte, seja realizando tarefas e movimentos simples como servir latas de refrigerante ou empilhar caixas, seja fazendo a alegria dos visitantes ao apresentar um show de dança ou tirando inúmeras selfies com os mais curiosos. Os robôs humanoides foram uma das principais atrações na Hannover Messe. Mas que ninguém se engane: a indústria tem planos ambiciosos para essas máquinas.
Hoje eles já estão em algumas questões fazendo tarefas mais simples, mas em um futuro não muito distante esses robôs estão nas linhas de produção de inúmeras fábricas, com braços articulados, mãos que manipulam objetos e turbinados pela (IA), inclusive ocupando as posições de muitos humanos.
Pelo menos essa é uma previsão de especialistas, que explicam que os humanoides estão abrindo uma nova era tecnológica, a da física, em que esses sistemas interagem com o mundo real para realizar tarefas cada vez mais complexas, além de interpretar mudanças no ambiente em que atuam e tomam decisões com seu próprio "cérebro".
Essa nova geração de humanoides supera a fase da generativa, marcada pelo lançamento de serviços como o , Gemini e Copilot, para pesquisa e elaboração de textos e imagens. Robótica e sempre foram parceiras, mas os avanços recentes na IA física trouxeram novas habilidades aos robôs como identificar objetos, considerar pessoas e se locomover.
— Os humanoides estão se desenvolvendo muito rapidamente com a IA e continuarão aprendendo novas tarefas de forma exponencial. Estamos trazendo a ficção para a realidade de uma forma muito rápida— disse Michael Nikolaides, vice-presidente sênior de produção, gestão da cadeia de suprimentos e logística do Grupo BMW Group.
Ao lado de Ulrich Homann, vice-presidente executivo da , e de Rev Lebaredian, vice-presidente de Omniverso e Tecnologia de Simulação da , Nikolaides debateu num painel da Hannover Messe como os robôs humanoides estão sendo trazidos para a produção. Na BMW, eles já atuam em projetos-piloto de produção nas fábricas de Spartanburg (EUA) e em Leipzig (Alemanha).
Os humanoides estão na linha de montagem da BMW manipulando componentes, como chapas metálicas, usadas na fabricação de carros como o BMW X3. Nikolaides disse que mais de 30 mil veículos já foram montados com ajuda de humanóides.
O executivo da BMW afirmou que a evolução dessas máquinas acelerou, mas eles ainda não atingiram sua “potência máxima”. Para realizar tarefas mais complexas, eles precisam ser treinados à exaustão e com uma quantidade absurda de dados.
Homann, da , afirma que uma nova geração desses robôs será capaz de tomar decisões próprias. Ele diz que os robôs poderão, por exemplo, reagir a mudanças no ambiente externo e deverão se tornar menos dependentes dos humanos nas linhas de produção das indústrias.
—A nova geração desses humanoides vai tomar decisões, reagir a mudanças no ambiente externo e será muito menos dependente dos homens na realização de tarefas numa fábrica—previsões o executivo da .
Por enquanto, a atuação dessas máquinas na BMW ainda é uma exceção, assim como o trabalho de separação de mercadorias que os humanoides fazem nos centros de distribuição da varejista on-line Amazon nos EUA.
Os especialistas lembram que os robôs estão sendo usados principalmente em tarefas consideradas perigosas para humanos, como manipuladores explosivos, ou repetitivos, como separar peças.
Sebastian Stukenborg, gerente de produtos do marketplace de robôs humanoides RBTX, criado pela empresa alemã Igus, que também atua no Brasil, afirma que a indústria ainda está buscando o foco para a atuação dos robôs nesse setor.
Por enquanto, diz ele, os humanoides têm tido apenas funções pontuais (como no caso da BMW) ou aparecem em tarefas menos complexas, como transportar objetos e fazer marketing.
—Até agora ainda não se encontrou uma tarefa única e importante que os robôs possam desenvolver na indústria. Por enquanto, são tarefas pontuais e, claro, marketing, já que em feiras como a Hannover Messe eles despertam uma curiosidade. Os braços mecânicos, por enquanto, são mais utilizados para execução de tarefas nas fábricas— explicou Stukenborg, enquanto manipulava um pequeno robô fazendo-o dançar ou reproduzir golpes de kung-fu em meio à curiosidade dos visitantes da feira.
No marketplace da Igus, há uma oferta de 100 modelos desses humanoides, a maior parte deles fabricados na China. O que chama a atenção é que os preços já começaram a ficar mais acessíveis: o modelo mais barato custa a partir de 6 mil euros, enquanto os mais caros chegam a 250 mil euros.
De acordo com um relatório do banco Goldman Sachs, o mercado de robôs humanoides deve atingir US$ 38 bilhões até 2035, com uma redução de 40% no custo atual das máquinas.
Um dos pontos mais sensíveis do uso de robôs na Alemanha, lembra Stukenborg, é a segurança. Ou seja, é preciso garantir que eles executem as tarefas para as quais foram programadas.
Rev Lebaredian, da , também concorda que há poucos humanoides presentes na indústria. Ele afirma que ainda estão sendo desenvolvidos softwares para criar o 'cérebro" desses robôs. Mas o investimento é elevado e é preciso ter escala para que isso se concretize. Mas ele diz que todas as tecnologias possíveis para avanço com a física já estão disponíveis.
— Os corpos já foram desenvolvidos e temos à disposição tudo o que é necessário para construir o 'cérebro' do robô. Mas distribuir humanoides a toda a indústria acho que ainda vai demorar um pouco— Observações Lebaredianas.
A já está pesquisando um modelo de software que combina visão e compreensão 3D num único modelo, que será alimentado com dados do mundo real.
— Quando olhamos para o mundo físico, estamos num espaço 3D. É um espaço mutável em que é preciso lidar com consideráveis detalhes. Os sistemas de IA são inteligentes dependendo do dado que recebe. Esse é o desafio — diz Homann, da .
Tarefas perigosas e em ambientes de riscos são um exemplo frequentemente citado como alternativas de uso nas apresentações da feira, como um caminho para que a tecnologia também contribua para a qualidade de vida das pessoas. Nesse contexto, há expectativa de redução de acidentes de trabalho.
*Taís Hirata, do Valor
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