Finanças
Indústria brasileira enfrenta desafios para ampliar uso da inteligência artificial
País apresenta avanços e abertura à inovação, mas precisa aprimorar mão de obra e reduzir entraves burocráticos
A aplicação da inteligência artificial (IA) nas indústrias brasileiras apresenta vantagens competitivas em relação a outros países, mas o setor ainda enfrenta desafios significativos, segundo executivos que participaram da Feira de Hanôver. Entre as principais barreiras estão o nível educacional abaixo do ideal e a regulação considerada burocrática, conforme aponta Marco Stefanini, fundador e CEO global do Grupo Stefanini, multinacional brasileira de software e serviços de tecnologia.
— Temos um mercado grande e uma população aberta a novos processos, incluindo o digital. Isso é uma vantagem. Mas há também entraves — afirmou Stefanini.
O executivo destaca a falta de incentivos governamentais para o desenvolvimento de sistemas tecnológicos:
— No Brasil, temos uma visão de hardware, de infraestrutura, e não de conteúdo, que é o principal. Isso já vem acontecendo há muitos anos. A gente tem a lei de informática e sempre teve incentivo fiscal para quem monta computador. Montar computador não tem valor agregado. Mas nunca tive incentivo fiscal para quem desenvolve software ou implementa uma solução.
Cesar Gaitan, CEO na América do Sul da empresa de tecnologia de automação Festo, também confirmou pontos positivos na aplicação da IA no Brasil, mas ressalta um descompasso em relação a países europeus.
— Não temos como comparar a implementação tecnológica das regiões porque, com certeza, a Europa tem bastante mais recursos, é bastante mais avançada, mas em termos de preparação estamos em um bom nível — avaliou Gaitan.
Os executivos destacam que um diferencial do Brasil é a abertura para adoção de novas tecnologias nos processos industriais — algo que, segundo eles, tem sido um desafio em países como a Alemanha.
— Temos uma cabeça bem mais aberta para as novas tecnologias. Nós somos mais flexíveis. Isso é muito importante porque não é só tecnologia, são pessoas que têm que fazer a transformação — acrescentou Gaitan.
Pablo Fava, presidente da Siemens no Brasil, também ressalta que essa característica levou a companhia a utilizar o país como um dos primeiros a adotar tecnologias fora da Europa:
— Tio vários casos em que o Brasil foi o primeiro a implementar. Em muitos lugares as culturas são mais conservadoras. Em outras, são um pouco mais disruptivas, aceitam mudança, inovação.
Questão de escala
Alexander Seitz, presidente-executivo da Mercedes-Benz na América do Sul, avalia que a região está homologada com o restante do mundo na aplicação de IA nos processos industriais:
— Temos menos complexidade do que talvez em outras regiões. A agilidade do brasileiro ajuda muito na instalação e implementação.
Para Stefanini, o principal desafio na adoção da IA pelas indústrias não é exclusivo do Brasil: trata-se de fazer com que as inovações ganhem escala e tragam resultados concretos para processos e custos:
— Nós estamos na mesma página que os demais, e não é só na indústria, em qualquer atividade. Hoje eu diria que boa parte das empresas está fazendo POC (Prova de Conceito), MVP (Produto Mínimo Viável), projetos-piloto. Agora, o que mudou o resultado da empresa é raro. Isso em qualquer lugar. Ainda não se saiu da POC, do piloto, para escalar. Essa etapa está faltando, isso no mundo inteiro, não é só no Brasil — afirmou o executivo. — É um processo de aprendizagem que ainda deve demorar talvez mais um ano, mas uma hora se acomoda. Para que possamos começar a ver resultados mais palpáveis da inteligência artificial.
*Com informações de Taís Hirata, do Valor
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