Finanças

Relator do fim da escala 6x1 ainda avalia se folgas serão obrigatoriamente consecutivas

Deputado diz que proposta deve garantir dois dias de descanso, mas afirma ter dúvidas sobre obrigatoriedade de folgas seguidas

Agência O Globo - 06/05/2026
Relator do fim da escala 6x1 ainda avalia se folgas serão obrigatoriamente consecutivas
Leo Prates, autor da proposta - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O relator da proposta que prevê o fim da escala 6x1, o deputado Léo Prates (Republicanos-BA) afirmou nesta quarta-feira que ainda não há definição sobre a exigência de dois dias consecutivos de folga para os trabalhadores e disse ter “muitas dúvidas” sobre o que será definido sobre os dias de folga.

Segundo ele, o texto deve garantir dois dias de descanso por cinco dias de trabalho, mas ainda há definição sobre a obrigatoriedade de que eles sejam cumpridos.

— Essa coisa dos dois dias consecutivos eu ainda tenho dúvidas. Os dois dias devem ser garantidos, mas corridas eu ainda tenho dúvidas — afirmou.

A justificativa do deputado para isso é precaução. Segundo ele, a missão da PEC é alterar tanto a jornada como a escala de trabalho e ele não quer “errar” com relação ao arranjo produtivo, tanto por causa das pessoas (que podem preferir dias seguidos ou separados) como pela organização empresarial.

O relator também afirmou que o grupo discute mecanismos de transição para reduzir possíveis efeitos econômicos da mudança. Segundo ele, o Congresso enfrentou o desafio de promover simultaneamente duas alterações nas regras trabalhistas: a redução da jornada e o fim da escala 6x1.

— Estamos fazendo duas alterações legislativas no mercado de trabalho ao mesmo tempo: a modificação e redução da escala e a modificação e redução da jornada. Esse é um grande desafio — disse.

Durante audiência sobre o tema, o deputado afirmou que o Congresso precisa encontrar uma solução que contemple tanto os trabalhadores quanto o setor produtivo e criticou o que chamou de “alarmismo” em torno da proposta

— Ou nós vamos unir as mãos e dizer que ninguém está contra o Brasil. Todo mundo aqui é um favor do Brasil. Nós queremos preservar os empregos — disse.

O parlamentar disse ter passado o dia respondendo mensagens sobre possíveis impactos negativos da proposta e afirmou que estudos apresentados pelo Ministério do Trabalho apontam impacto de 4,7% com a mudança nos custos trabalhistas na folha de pagamento. Para ele, isso não significaria uma “quebradeira geral”.

Os dados, no entanto, não foram detalhados pelo deputado e podem variar de setor para setor.

Ele citou ainda a redução da jornada de 48 para 44 horas prevista na Constituição de 1988 e argumentou que, na época, também houve alterações de colapso econômico que não se confirmaram.

— Se fosse assim, tinham quebrado todas as companhias aéreas quando a Constituição impedida de uma vez só de 48 para 44 horas — afirmou.

O parlamentar afirmou ainda que não tem “premissa formada” sobre todos os pontos do texto e reforçou que segue dialogando com representantes do setor produtivo e integrantes do governo para construir um consenso.

As declarações foram dadas pelo relator durante a primeira audiência pública da comissão especial destinada ao debate do fim da escala de seis dias de trabalho para apenas um de descanso. Também está presente na reunião o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que defendeu a redução da jornada e da escala.

Segundo o ministro, atualmente há cerca de ⅓ de trabalhadores que estão na escala 6x1, enquanto a maioria dos demais está na 5x2. Ou seja, apenas um dia de descanso semanal é uma exceção no Brasil e, portanto, uma mudança na constituição não traria um impacto irremediável para as empresas.

Marinho disse, ainda, que o governo Lula (PT) pensa ser “plenamente possível reduzir a jornada para 40h e 5x2 imediatamente”. Uma regra de transição é discutida na comissão possível, e defendida pelo relator, mas o Executivo quer que uma vez aprove a PEC, o limite de 40 horas semanais já passou a valer.

Ele também defendeu a importância das negociações coletivas e afirmou que a compensação para a mudança, defendida por empresas e setores da oposição ao governo, será uma melhoria do ambiente de trabalho.

— Eu não me lembro de nenhum outro momento em que houve redução da jornada de trabalho em que houve compensação (...) A grande compensação vem da melhoria do ambiente de trabalho, a eliminação dos custos que representa o absenteísmo, a eliminação dos custos de afastamento de um trabalhador, além de impactar na própria Previdência social — ponderou.