Finanças

Alckmin afirma que reunião entre Lula e Trump busca evitar sanções e destaca superávit dos EUA com Brasil

Governo americano mantém investigações sobre supostas práticas desleais de comércio por parte do Brasil

Agência O Globo - 05/05/2026
Alckmin afirma que reunião entre Lula e Trump busca evitar sanções e destaca superávit dos EUA com Brasil
Geraldo Alckmin - Foto: Reprodução

O presidente Lula tem um encontro marcado com o presidente dos EUA, Donald Trump, nesta quinta-feira, e um dos principais temas da pauta é a busca por evitar sanções ao Brasil, conforme informou o vice-presidente Geraldo Alckmin nesta terça-feira (5). Em entrevista à Globo News, Alckmin também destacou o superávit comercial brasileiro na relação com os Estados Unidos.

— Essa é uma preocupação, é um dos pontos prioritários da conversa. Precisamos deixar muito claro para a sociedade, para a opinião pública e, inclusive, para os americanos, que Brasil e Estados Unidos mantêm um comércio superavitário. Dos dez produtos que eles mais exportam para nós, oito têm tarifa zero — afirmou Alckmin.

Além das questões tarifárias, outros temas econômicos devem ser debatidos, como a cooperação em minerais críticos.

— O presidente Lula tem colocado que não há tema proibido. Vamos conversar sobre big techs, terras raras, data centers, política tarifária e não tarifária. A agenda é importante — completou o vice-presidente.

Em fevereiro, o governo dos Estados Unidos convidou o Brasil a integrar uma nova coalizão internacional dedicada ao fornecimento, mineração e refino de minerais críticos. A proposta de Washington inclui parcerias para garantir o acesso a insumos como lítio, grafita, cobre, níquel e terras raras, além da criação de mecanismos de preço mínimo.

A visita de Lula aos Estados Unidos foi acertada na semana passada, após uma conversa telefônica entre os dois presidentes.

Também em fevereiro, a Suprema Corte americana derrubou o tarifaço de 50% imposto por Trump a produtos brasileiros. No entanto, dias após a decisão, o presidente dos EUA reiterou que seu governo segue investigando o Brasil e a China por supostas práticas comerciais desleais.

Outro tema sensível na pauta é a possibilidade de os Estados Unidos classificarem as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Autoridades brasileiras temem que essa eventual classificação represente riscos à soberania nacional. Em março, o Departamento de Estado americano declarou ao jornal O Globo que considera as facções criminosas brasileiras uma ameaça relevante à segurança regional.