Finanças
Primeiro dia do Desenrola 2.0 é marcado por falhas técnicas e bancos não conseguem renegociar dívidas
Conexão entre sistemas dos bancos e do governo federal ainda não está operacional, impedindo ofertas de acordos. Febraban não prevê prazo para início das repactuações.
O primeiro dia do Desenrola 2.0, programa criado pelo governo federal para renegociação de dívidas, terminou sem nenhum contrato fechado. Embora o governo tenha anunciado o início do programa para hoje, nenhum dos bancos consultados conseguiu efetivar renegociações com inadimplentes devido a problemas de conexão com o sistema do Fundo de Garantia de Operações (FGO). Parte dos recursos desse fundo será utilizada para ressarcir os bancos em caso de inadimplência dos beneficiários, tornando a integração entre os sistemas essencial.
Alguns bancos, como Banco do Brasil e Bradesco, já disponibilizaram sites para inscrição de interessados, mas ainda não conseguiram iniciar as negociações. Não há previsão para o início efetivo das ofertas de renegociação, segundo informou a Febraban em entrevista à colunista Miriam Leitão, do GLOBO.
Apesar do lançamento oficial pelo governo, a intermediação com os devedores será feita diretamente pelas instituições financeiras onde os clientes já possuem conta ou contrataram empréstimos. Diferentemente da primeira fase do Desenrola, não haverá uma plataforma unificada nesta etapa.
Isaac Sidney, presidente da Febraban, afirmou que a maioria dos bancos participantes das três modalidades contempladas pelo Novo Desenrola — cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal direto ao consumidor (CDC) — está apta a realizar a repactuação das dívidas, mas reconhece que há um entrave tecnológico.
Mesmo assim, a Febraban estima que o programa pode beneficiar até 27,7 milhões de pessoas, que acumulam atualmente R$ 97,3 bilhões em dívidas.
O que dizem os bancos
Logo após o lançamento do Desenrola 2.0, na segunda-feira, instituições financeiras alertaram para questões técnicas na integração entre as APIs dos bancos e o sistema do governo, o que impede a definição de um prazo para início das propostas de renegociação.
O Itaú informou, por meio de nota, que está trabalhando na implementação da nova fase do programa e, com a publicação da medida provisória que institui o Desenrola 2.0, disponibilizará as ofertas de renegociação aos clientes elegíveis em todos os seus canais.
O Bradesco também aderiu ao programa e aguarda apenas as autorizações do Fundo de Garantia de Operações (FGO) para iniciar as renegociações. O banco, que já oferece uma página para pré-cadastro, declarou que irá disponibilizar condições especiais para devedores que não se enquadrem no perfil do Desenrola 2.0, seja por prazo de atraso ou renda superior ao limite estabelecido.
O Santander informou que realiza testes para começar a oferecer o serviço aos clientes o mais breve possível, mas ainda não definiu uma data.
O Nubank confirmou participação no programa, mas disse não ter informações sobre como será o processo de solicitação na plataforma.
O Banco do Brasil afirmou que está preparando material informativo para os clientes. Já a Caixa Econômica Federal ainda não respondeu ao contato da reportagem.
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