Finanças
Lula rebate críticas europeias e defende biocombustíveis brasileiros: 'Ninguém come biodiesel'
Na Hannover Messe 2026, presidente pede que apoiadores do acordo Mercosul-UE se manifestem mais do que críticos no bloco europeu
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta segunda-feira (20), as normas europeias que impõem barreiras ao biocombustível brasileiro. Durante discurso no Encontro Econômico Brasil-Alemanha, realizado na Hannover Messe 2026, maior feira industrial do mundo, Lula reforçou que não existe risco de o Brasil deixar de produzir alimentos para priorizar biocombustíveis.
“Ninguém come biodiesel, ninguém come gasolina, as pessoas comem comida. E sabemos a importância de fazer com que dois setores possam se desenvolver concomitantemente. Os alemães não podem acreditar no mito, propagado por alguns contrários à inovação tecnológica em combustíveis, de que o biocombustível brasileiro prejudica a produção de alimentos. Se alguém quiser acreditar nisso, convido a visitar o Brasil. Temos consciência de que a maior arma do mundo é a segurança alimentar do povo”, declarou Lula.
Antes do encontro, o presidente visitou estandes de empresas brasileiras na feira e brincou com o chanceler alemão, Friedrich Merz, lamentando que o premiê não tenha visto os caminhões Mercedes fabricados no Brasil e movidos a biodiesel da produtora nacional Be8, apresentados no evento: “É uma pena que o primeiro-ministro não pôde visitar o caminhão para ver o sucesso do biocombustível brasileiro em comparação ao combustível da União Europeia”.
Críticas às políticas europeias de carbono
Além de rebater críticas aos biocombustíveis, Lula questionou diretrizes da União Europeia sobre o cálculo de carbono: “O transporte é hoje um dos principais gargalos de descarbonização da Europa. Apesar disso, a UE está revisando seu regulamento sobre o biocombustível. Estão na mesa propostas que ignoram práticas de sustentabilidade no uso do solo brasileiro. Também entraram em vigor, em janeiro, mecanismos unilaterais de cálculo de carbono que desconsideram o baixo nível de emissões do processo produtivo brasileiro, baseado em fontes renováveis. Essas iniciativas podem dificultar a oferta de energia limpa ao consumidor europeu em momento crítico”, afirmou.
Acordo Mercosul-UE e engajamento do setor privado
Lula também exaltou o acordo entre União Europeia e Mercosul, ressaltando a importância de que apoiadores da parceria se manifestem com mais força: “É um instrumento essencial para melhorar o nosso comércio. Após décadas de negociação, ele entra em vigor a partir do dia 1º de maio. Conto com o engajamento do setor privado para garantir que a vigência provisória do acordo seja transformada em vigência permanente. Precisamos que os setores favoráveis ao acordo falem mais alto que os que se opõem, sobretudo na Europa”.
Os jornalistas viajaram a convite da Apex Brasil.
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