Finanças
Acesso à água e saneamento avança em Belém após COP-30
Investimentos antes da conferência do clima elevaram cobertura de esgoto de 18,79% para 38,68% na área urbana
Belém do Pará figurava, até o ano passado, entre as cidades com pior oferta de saneamento básico do Brasil. Em 2024, o município ocupou a 94ª posição no ranking de saneamento de 2026, divulgado este mês pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. Apesar de 88,18% da população urbana ter acesso à água, apenas 25,27% contava com coleta de esgoto.
Investimentos acelerados pela COP-30
A realização da COP-30 impulsionou investimentos significativos em infraestrutura. De acordo com a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), a Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop) destinou mais de R$ 1,4 bilhão a obras de saneamento para preparar a cidade, contemplando 13 canais — 11 deles localizados em áreas periféricas.
Segundo a Cosanpa, antes das obras da COP-30, 89,2% da área urbana de Belém era atendida com abastecimento de água, percentual que subiu para 90,45%. Já a cobertura de coleta de esgoto saltou de 18,79% para 38,68% após os investimentos.
Principais obras e iniciativas
A prefeitura destaca como principais intervenções a duplicação da avenida Bernardo Sayão, que integra drenagem, pavimentação, calçadas, acessibilidade, iluminação pública, além de redes de água e esgoto, e a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).
Também estão no andamento três Unidades de Valorização de Resíduos (UVRs), voltadas ao tratamento e reaproveitamento de resíduos sólidos, com foco na reciclagem e inclusão de catadores.
Questionamentos sobre eficiência
Para Juliano Ximenes Ponte, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará (UFPA), os números apresentados pelo governo podem ser superestimados:
— Quando o governo diz que aumentou de 18% para 38% a cobertura do saneamento, considera todas as ligações previstas, mas parte dessas obras ainda está em andamento. Além disso, misture o esgoto coletado com o esgoto tratado, o que nem sempre ocorre de fato.
O professor também critica o modelo adaptado nas periferias, baseado em estruturas de concreto e asfalto, sem áreas verdes ou espaços públicos. Segundo ele, essas soluções tendem a ser ineficientes a longo prazo, com riscos de transbordamento, e representam uma oportunidade perdida de incorporar alternativas mais sustentáveis, integrando vegetação e materiais naturais para preservar ou apenas e reduzir a erosão.
Desafios para universalização
Embora a Cosanpa tenha atuado no estado, a concessão do serviço foi exclusiva para Águas do Pará, que responde pela distribuição e esgotamento em 126 dos 144 municípios. A estatal permanece responsável pela produção e tratamento da água.
André Facó, diretor-presidente da audiência, aponta a falta de programas regulares de investimento e a vasta extensão territorial como principais desafios:
— A dispersão populacional exige logística complexa para transportar materiais em todas as regiões. É preciso planejamento e investimentos robustos para universalizar o acesso em um estado com dimensões continentais e realidades diversas.
Facó destaca ainda as dificuldades enfrentadas nas áreas de palafitas:
— Como engenheiro, aprendi que as redes de saneamento precisam ser enterradas. Mas como enterrar tubulações em leitos de rios, frequentemente submersos? Desenvolvemos tecnologia específica para atender casas em palafitas.
Segundo ele, a centenária Vila da Barca, uma das maiores comunidades ribeirinhas de palafitas da América Latina, está recebendo água tratada pela primeira vez.
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