Finanças

Boulos critica 'omissão' de governadores enquanto Planalto negocia subvenção ao diesel

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência se reúne com caminhoneiros e cobra ação dos estados

Agência O Globo - 25/03/2026
Boulos critica 'omissão' de governadores enquanto Planalto negocia subvenção ao diesel
O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP) - Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Após reunião com representantes dos caminhoneiros nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou governadores por não aceitarem reduzir o ICMS do diesel.

— Vimos o aumento do diesel de maneira despropositada nos últimos dias por especulação de distribuidoras e postos de gasolina. Os caminhoneiros não podem pagar o preço da irresponsabilidade e da ganância dessas distribuidoras, que estão aumentando o preço artificialmente mesmo com a isenção do PIS e Cofins. Da mesma forma, os caminhoneiros não podem pagar o preço de determinados governadores que não querem mexer no ICMS para estabilizar o preço do combustível e do diesel em particular diante dessa guerra insana — afirmou o ministro.

Na terça-feira, o novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo propôs aos estados dividir os custos para estabelecer uma subvenção ao diesel importado de R$ 1,20 por litro, sendo cada ente responsável por R$ 0,60.

A nova proposta busca substituir a ideia anterior, de desoneração do ICMS sobre o diesel importado. Segundo Durigan, a estimativa de renúncia fiscal permanece em R$ 3 bilhões em dois meses, sendo R$ 1,5 bilhão para cada pessoa. A medida seria válida até 31 de maio.

Nesta quarta-feira, Boulos acrescentou que o governo vai intensificar a fiscalização e criar uma mesa de negociação com a categoria, enquanto tramita no Congresso a medida provisória que amplia o poder da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para sancionar o descumprimento das regras de frete.

O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Santos, Luciano Santos, que participou da reunião, afirmou que a categoria não aceitará ser “usada por questões políticas”.

— O governo fez a parte dele, a nossa batalha agora é com os nossos deputados. Vamos ver se eles vão estar do lado dos caminhoneiros, do povo brasileiro, ou das grandes empresas.