Finanças
Mulheres só ganham mais em setores onde são minoria, aponta estudo
Construção é o setor onde elas têm menor presença (4%), mas ganham mais que os homens, diz FGV
A disparidade salarial entre homens e mulheres no mercado de trabalho brasileiro permanece elevada. Mesmo em setores onde as mulheres são maioria, como educação, saúde humana e serviços sociais, elas continuam recebendo um rendimento consideravelmente inferior aos dos homens. Por outro lado, nos poucos setores em que as mulheres recebem mais, como o da construção civil, sua participação é mínima, representando apenas 4% do total de profissionais.
Participação feminina e desigualdade salarial
Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) sobre desigualdade de gênero, os setores de educação, saúde e serviços sociais concentram 74% de participação feminina, ficando atrás apenas do trabalho doméstico, onde 92% dos profissionais são mulheres. Apesar da forte presença, a diferença salarial é marcante nesses setores: as mulheres recebem, em média, 39% a menos que os homens.
Cargos e funções impactam nos períodos programados
De acordo com Isabela Duarte Kelly, pesquisadora responsável pelo estudo, essa disparidade ocorre porque as mulheres costumam ocupar cargas de menores salários. Mesmo quando exercem as mesmas funções que os homens, ainda assim recebem menos.
— Eles tendem a ser professores, muitas vezes no ensino infantil, que possuem níveis mais baixos, enquanto os homens ocupam cargos no ensino superior, mais bem remunerados — explica Kelly. — Na saúde, a maioria dos homens é médica, enquanto as mulheres predominam em funções de enfermagem, que pagam menos. E mesmo quando as mulheres atuam como médicas, continuam ganhando menos que seus colegas homens.
Ela acrescenta:
— A responsabilidade doméstica ainda recai majoritariamente sobre as mulheres, o que impacta sua entrada, permanência e ascensão no mercado de trabalho. Com a dupla jornada e as afazeres do lar, muitas vezes não conseguem se dedicar plenamente à carreira.
Diferença salarial persiste e aumenta com o tempo
A pesquisa mostra que, no último trimestre de 2025, a diferença salarial média entre homens e mulheres foi de 21% — ou seja, as mulheres recebem, em média, 21% a menos que os homens. Essa diferença pode ainda ser maior dependendo da área de atuação. O estudo também revela que as mulheres negras recebem, em média, 24% a menos que as mulheres brancas e 40% a menos que os homens.
Segundo Kelly, homens e mulheres costumam ingressar no mercado de trabalho com oportunidades semelhantes, mas, com o tempo, a disparidade aumenta.
— À medida que avançamos na carreira, as diferenças salariais se acentuam. Os homens prestam ascender a cargas mais altas, enquanto as mulheres, por motivos como licença-maternidade ou responsabilidades domésticas, acabam saindo ou sendo demitidas — detalhes.
Setor da construção: exceção à regra
A construção civil é o único setor investigado em que as mulheres têm vantagem salarial: recebem cerca de 50% mais que os homens. No entanto, esse dado reflete outra faceta da desigualdade, já que apenas 4% da força de trabalho do setor é composta por mulheres.
Acúmulo de tarefas domésticas
Para Kelly, os números evidenciam uma realidade estrutural: mesmo inseridas no mercado, as mulheres continuam sendo as principais responsáveis pelas ações domésticas, acumulando múltiplas jornadas.
— As mulheres dedicam, em média, 21 horas semanais às tarefas domésticas e de cuidados, enquanto os homens dedicam 11 horas. Mesmo quando conquistam empregos melhores e podem contratar ajuda, os homens mantêm a média de 11 horas semanais em tarefas do lar — conclui a pesquisadora.
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