Finanças
Notas de dinheiro se espalham após queda de avião militar na Bolívia
Queda de aeronave carregada de dinheiro provoca corrida por cédulas e deixa dezenas de mortos em El Alto
As autoridades bolivianas estão mobilizadas para destruir o que pode equivaler a milhões de dólares em moeda local, após um acidente aéreo fatal que espalhou cédulas pela segunda maior cidade do país.
Um avião de carga militar, transportando novas notas para o Banco Central da Bolívia, caiu nas proximidades do Aeroporto Internacional de El Alto na tarde de sexta-feira, causando a morte de pelo menos 22 pessoas e ferindo outras 37. A maioria das vítimas estava em veículos próximos ao aeroporto e foi atingida pela aeronave.
O acidente provocou uma avalanche de notas na populosa El Alto. Moradores correram ao local para recolher o máximo de dinheiro possível, enquanto as autoridades buscavam sobreviventes e tentavam destruir as cédulas rapidamente. A região permanece sob forte vigilância policial e militar, e ainda havia pessoas à procura de notas nas primeiras horas do sábado.
"Nossas estimativas sugerem que, no auge do conflito, havia cerca de 20 mil pessoas" tentando recolher as notas, afirmou o vice-ministro do Interior da Bolívia, Hernán Paredes, à imprensa local. "Havia grupos de vândalos infiltrados, por isso detivemos 49 pessoas."
Retrato do país
A Bolívia é um dos países mais pobres da América Latina e enfrenta atualmente uma das maiores taxas de inflação do continente. O índice, que chegou a quase 25% no ano passado, caiu para pouco menos de 20% nos últimos meses, enquanto o novo presidente, Rodrigo Paz, busca reverter a crise das finanças públicas.
As notas dispersas valiam entre 10 e 50 bolivianos cada — o equivalente a cerca de US$ 1 a US$ 5 no mercado paralelo de câmbio, o mais utilizado no país. O salário mínimo boliviano está fixado em 3.300 bolivianos.
O valor exato das notas não foi divulgado pelas autoridades, mas imagens de TV local mostram que o avião estava repleto de dinheiro em papel.
Comunicado do Banco Central
O Banco Central da Bolívia informou, em comunicado, que cancelou a validade das notas, que podem ser reconhecidas por uma série específica impressa em cada uma. A ASFI, reguladora do sistema financeiro, alertou a população para não tentar utilizar essas cédulas.
No entanto, embora bancos possam verificar a validade das notas pela série, é improvável que comerciantes comuns façam esse controle, já que o dinheiro é legítimo e passaria por uma verificação rotineira. A Bolívia segue sendo uma economia predominantemente baseada em dinheiro físico para transações cotidianas.
As autoridades também confirmaram que parte das notas já circula no mercado, dificultando identificar quais foram obtidas legalmente e quais foram recolhidas após o acidente. O governo orientou portadores legítimos a procurar bancos para trocar as cédulas por outras de série diferente.
“As faturas referentes ao acidente foram totalmente identificadas”, informou a ASFI em nota. “As instituições financeiras vão reter todas elas e comunicar às autoridades competentes qualquer tentativa de inserção dessas notas no sistema.”
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