Finanças

Toffoli deixa relatoria do caso Master após relatório da PF

Decisão ocorre após divulgação de relatório da Polícia Federal que cita o nome do ministro em investigação sobre o Banco Master.

Agência O Globo - 12/02/2026
Toffoli deixa relatoria do caso Master após relatório da PF
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: Reprodução

O ministro Dias Toffoli decidiu deixar a relatoria do caso Master após reunião com colegas do Supremo Tribunal Federal (STF), realizada para apresentar o relatório da Polícia Federal (PF) sobre dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento menciona o nome do ministro.

A reunião, que começou por volta de 16h30 e terminou às 19h, foi retomada às 20h, segundo a assessoria do STF. Em nota assinada pelos demais dez ministros da Corte, foi informado: "A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo relator."

Após o envio do ofício da PF, foi aberto um pedido de suspeição contra Toffoli no STF. O ministro negou a suspeição e reiterou nota divulgada anteriormente, na qual afirmou que o pedido da PF se baseia em "ilações" e que a instituição não tem legitimidade para tal solicitação, por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.

O presidente do STF, Edson Fachin, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR) e comunicou a resposta de Toffoli aos demais ministros. Durante a sessão de julgamentos, Fachin afirmou que haveria um "diálogo" entre os ministros para tratar do tema.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, Toffoli admitiu ser sócio da empresa Maridt, que vendeu participação no resort Tayayá, no interior do Paraná, para um fundo gerido pelo cunhado de Daniel Vorcaro. O ministro declarou ter informado à Receita Federal os valores recebidos e negou ter recebido qualquer valor diretamente de Vorcaro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel.

Toffoli esclareceu que a Maridt integrou a administração do resort até fevereiro de 2025 e que ele se tornou relator do caso Master quando a empresa já não fazia mais parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro. O ministro afirmou ainda que todas as operações foram realizadas a valor de mercado e que sua participação na empresa se limita ao recebimento de dividendos, sem exercer funções de gestão, prática permitida pela Lei Orgânica da Magistratura.

A empresa Maridt, de capital fechado e administrada por familiares do ministro, detinha parte das ações do resort Tayayá. Os irmãos de Toffoli, José Eugênio Dias Toffoli e o padre José Carlos Dias Toffoli, atuavam como executivos da empresa à época das aquisições das ações.

A saída da Maridt do grupo Tayayá Ribeirão Claro ocorreu em duas etapas: em setembro de 2021, parte das cotas foi vendida ao Fundo Arleen, de Fabiano Zettel, e, em fevereiro de 2025, o saldo remanescente foi alienado à empresa PHD Holding. Segundo Toffoli, todas as transações seguiram valores de mercado.