Finanças

Oposição faz nova ofensiva por impeachment de Toffoli e CPI do Master

Ministro nega irregularidade e diz que documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal é baseado em 'ilações'

Agência O Globo - 12/02/2026
Oposição faz nova ofensiva por impeachment de Toffoli e CPI do Master
Oposição faz nova ofensiva por impeachment de Toffoli e CPI do Master - Foto: Reprodução

A citação a Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, reacendeu a pressão da oposição para que o magistrado seja afastado.

O vice-líder da Minoria da Câmara, Carlos Jordy (PL-RJ), informou que protocolará nesta quinta-feira representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo para que ele deixe a relatoria das investigações. Além disso, um novo pedido de impeachment foi apresentado no Senado por parlamentares do Novo.

Apesar da mobilização, a cúpula do Congresso tem mantido postura de cautela e adota, por ora, compasso de espera diante do desfecho jurídico das investigações.

Toffoli é relator da investigação envolvendo o Master na Corte, mas sua condução do caso passou a ser alvo de questionamentos por sua ligação com Vorcaro. Na segunda-feira, a Polícia Federal entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório que, de acordo com a colunista Malu Gaspar, elenca telefonemas, o envio de um convite para uma festa de aniversário do ministro e conversas de Vorcaro com outras pessoas a respeito de pagamentos relacionados ao resort Tayayá, empreendimento que teve Toffoli como sócio.

Em nota na quarta-feira, o gabinete de Toffoli afirmou que o "pedido de declaração de suspeição" é baseado em "ilações". Em nova nota, divulgada nesta quinta-feira, o ministro admitiu ser um dos sócios da empresa que detinha cotas do resort e que vendeu sua participação a um fundo ligado ao pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

O ministro sustentou ainda que nunca recebeu valores do banqueiro nem de seus familiares e destacou que passou a relatar a investigação sobre suspeitas de fraude na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB apenas quando a companhia já não integrava a administração do empreendimento.

Novo capítulo

O novo capítulo do caso Master reforçou a mobilização de parlamentares da oposição, que apresentaram um novo pedido de impeachment de Toffoli e intensificaram a pressão pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação do banco e eventuais conexões políticas.

O requerimento para criação da comissão já havia sido apresentado, mas enfrenta resistência da cúpula do Congresso, que tem preferido manter a apuração concentrada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Jordy afirma que os fatos recentes tornam inviável adiar a investigação parlamentar mais ampla. — Fica insustentável não abrir a CPI do Banco Master diante das revelações que vieram à tona — disse.

Partido Novo

Nesta quinta-feira, parlamentares do Novo anunciaram a apresentação de um novo pedido de impeachment contra o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em ato com a presença do senador Eduardo Girão (CE) e do deputado federal Marcel van Hattem (RS). A iniciativa reforça a articulação da oposição para ampliar a pressão política sobre o magistrado em meio aos desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master.

— Nós do partido Novo estamos entrando hoje com um pedido de impeachment, (um) novo (pedido), do ministro Toffoli. Estamos identificando aí algo muito grave com relação as revelações que trouxeram no celular do Vorcaro. Já tínhamos pedido à Procuradoria Geral da República a suspeição, (por) conflito de interesses, até o momento a PGR não nos respondeu — disse o senador: — E hoje nós estamos fazendo, também à PGR, um novo pedido e um novo aditamento com relação a esse caso da representação de conflito de interesse do Toffoli, que no nosso modo de entender não tem condições de ficar à frente do caso.

Líderes pregam cautela

Enquanto a oposição eleva o tom, dirigentes das Casas legislativas evitam declarações públicas. Interlocutores das presidências da Câmara dos Deputados e do Senado afirmam que a orientação predominante é aguardar a evolução do caso no próprio STF e eventuais manifestações da Procuradoria-Geral da República antes de qualquer movimento institucional, seja sobre impeachment, seja sobre a abertura da CPI.

A cautela reflete o receio de reabrir uma crise entre Poderes em meio a um ambiente político já tensionado e a outras agendas prioritárias no Congresso Nacional. Reservadamente, líderes avaliam que uma ofensiva sem base jurídica consolidada tenderia a fracassar e poderia fortalecer a narrativa de confronto institucional com o Supremo.