Finanças
Maridt foi criada para adquirir cotas de empresas e opera sem revelar seus sócios
Regime de sociedade anônima permite que apenas diretores, que eram os irmãos de Toffoli, apareçam nos registros públicos. Maridt vendeu participação no resort Tayayá a cunhado de Vorcaro
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), não consta nos registros públicos da Maridt Participações S.A., empresa da qual admitiu ser sócio nesta quinta-feira (12). Apenas os nomes dos irmãos do ministro, José Eugênio Toffoli e José Carlos Toffoli, aparecem como executivos nos documentos oficiais da Maridt. A empresa vendeu a participação que detinha no Tayayá Aqua Resort, localizado em Ribeirão Claro (PR), para um fundo administrado por Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
No STF, Toffoli é o relator da investigação que apura supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Caso Master
Segundo a Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), a Maridt Participações foi constituída em outubro de 2020 e tem como endereço uma residência em Marília (SP), onde vive José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro.
Em janeiro, reportagem do jornal O Globo esteve no local e constatou que se trata de uma casa simples, situada no Jardim Universitário, bairro de classe média em Marília, com calçada danificada e pintura desgastada — um contraste com o padrão luxuoso do resort Tayayá.
Estrutura societária
Inicialmente, José Carlos Dias Toffoli, conhecido como Padre Carlão, era o diretor-presidente da Maridt, enquanto José Eugênio ocupava o cargo de diretor. Em março de 2023, houve alteração societária: José Carlos deixou a presidência, que passou a ser ocupada por José Eugênio. Igor Luiz Pires Toffoli, filho de Eugênio e sobrinho do ministro, foi nomeado diretor. O capital social declarado à Jucesp é de apenas R$ 150.
Objetivo e composição
O contrato social da Maridt estabelece como objetivo a "participação societária em outras sociedades empresárias ou não empresárias, como sócia, acionista ou cotista, no Brasil e no exterior". Em todas as alterações registradas, apenas José Eugênio e José Carlos figuram como responsáveis legais.
Por ser uma sociedade anônima de capital fechado, a Maridt pode ter acionistas que recebem dividendos sem que seus nomes apareçam nos registros públicos, caso não exerçam cargos administrativos.
Posicionamento de Toffoli
Em nota, o ministro Dias Toffoli afirmou integrar o quadro societário da Maridt, mas sem exercer funções administrativas. Ele citou a Lei Orgânica da Magistratura, que permite a participação em sociedades empresariais e o recebimento de dividendos, desde que não haja atuação em atos de gestão.
“A Maridt é uma empresa familiar constituída como sociedade anônima de capital fechado e administrada por parentes do ministro. Toffoli integra o quadro societário e, segundo sua assessoria, recebeu apenas dividendos, sem exercer funções de gestão, o que é permitido pela Lei Orgânica da Magistratura”, diz a nota.
Até 21 de fevereiro de 2025, a Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro. A saída ocorreu em duas etapas: em 27 de setembro de 2021, parte das cotas foi vendida ao Fundo Arllen; e, em 21 de fevereiro de 2025, o saldo remanescente foi alienado à empresa PHD Holding. Segundo a defesa, todas as operações foram realizadas a valor de mercado.
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