Finanças
Plataformas ampliam acesso a investimentos, mas abusos precisam ser coibidos, afirma diretor do BTG
Na semana passada, CEO do Itaú criticou pagamento de comissões elevadas por distribuição de produtos do Master nessas plataformas
As plataformas de distribuição de produtos financeiros promoveram a democratização dos investimentos no Brasil, representando um avanço significativo para a sociedade e para o mercado de capitais. No entanto, eventuais falhas nesse processo não devem servir de justificativa para retrocessos, avaliou o diretor financeiro do BTG, Renato Hermann Cohn, durante a apresentação do balanço do banco referente a 2025. Ele também destacou que houve abuso por parte do Banco Master quanto ao uso do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
— Quando percebemos excessos e a dificuldade de compreensão do balanço do banco, iniciamos um processo de restrição na oferta dos CDBs do Master. Orientamos nossos clientes a respeitarem não apenas o limite do FGC, mas também os limites de qualquer portfólio de ativos. Gradualmente, restringimos até impedir novas aquisições de posições no Banco Master. Desde 2024, limitamos a oferta desses CDBs — afirmou Cohn.
Críticas do CEO do Itaú
Na semana passada, o CEO do Itaú, Milton Maluhy, criticou as práticas do Master, que resultaram em uma conta de R$ 55 bilhões a ser assumida pela sociedade e pelos bancos. O Master oferecia retorno de 140% do CDI, bem acima do mercado, além de pagar comissões elevadas para que plataformas distribuíssem seus papéis.
— Houve um incentivo inadequado, colocando os interesses das plataformas acima dos do sistema e dos clientes. Algumas plataformas utilizaram o FGC para alavancar negócios insustentáveis — afirmou Maluhy.
No mercado, BTG, Nubank e XP foram citados por gestores como as principais plataformas que ajudaram a distribuir os CDBs do Master. As plataformas não se manifestaram sobre o tema.
Cohn reforçou que o abuso do Master em relação ao FGC não deve ser tolerado. O banco utilizava em sua comunicação o fato de o fundo garantir investimentos de até R$ 250 mil em caso de quebra.
— Esse abuso precisa ser proibido — destacou o diretor financeiro do BTG.
Cohn ainda afirmou que há diversas formas de corrigir o uso inadequado do FGC.
— Em países como Estados Unidos e na Europa, discute-se qual percentual pode ser coberto pelo seguro do fundo garantidor. Esse debate está em andamento. É provável que o Banco Central e o próprio FGC promovam mudanças para aprimorar o mecanismo de proteção e evitar novos erros. O problema está em como o banco utiliza os recursos captados — analisou Cohn, referindo-se ao Master.
Negociação de carteiras do BRB
Sobre as negociações para compra de carteiras de crédito do BRB — instituição que tentou adquirir o Master, mas foi impedida pelo Banco Central —, Cohn afirmou que o BTG avalia oportunidades desde que as carteiras atendam aos rigorosos padrões de qualidade do banco.
— Se o BRB apresentar carteiras de alta qualidade e preço adequado, vamos analisar e considerar a aquisição. Isso vale para todo o mercado. Aquisição de carteiras faz parte do nosso dia a dia — afirmou.
Lucro recorde em 2025
O BTG encerrou 2025 com resultados recordes, impulsionados pela diversificação de negócios, desempenho superior em todas as linhas e maior alavancagem operacional.
As receitas totais do banco, liderado por André Esteves, alcançaram R$ 33 bilhões, enquanto o lucro líquido ajustado somou R$ 16,7 bilhões, crescimento de 32% e 35%, respectivamente, em relação a 2024.
O retorno ajustado sobre o patrimônio líquido (ROAE) atingiu 26,9%, frente aos 23,1% registrados no ano anterior.
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