Finanças

Plataformas ampliam acesso a investimentos, mas abusos precisam ser coibidos, afirma diretor do BTG

Na semana passada, CEO do Itaú criticou pagamento de comissões elevadas por distribuição de produtos do Master nessas plataformas

Agência O Globo - 09/02/2026
Plataformas ampliam acesso a investimentos, mas abusos precisam ser coibidos, afirma diretor do BTG
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

As plataformas de distribuição de produtos financeiros promoveram a democratização dos investimentos no Brasil, representando um avanço significativo para a sociedade e para o mercado de capitais. No entanto, eventuais falhas nesse processo não devem servir de justificativa para retrocessos, avaliou o diretor financeiro do BTG, Renato Hermann Cohn, durante a apresentação do balanço do banco referente a 2025. Ele também destacou que houve abuso por parte do Banco Master quanto ao uso do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

— Quando percebemos excessos e a dificuldade de compreensão do balanço do banco, iniciamos um processo de restrição na oferta dos CDBs do Master. Orientamos nossos clientes a respeitarem não apenas o limite do FGC, mas também os limites de qualquer portfólio de ativos. Gradualmente, restringimos até impedir novas aquisições de posições no Banco Master. Desde 2024, limitamos a oferta desses CDBs — afirmou Cohn.

Críticas do CEO do Itaú

Na semana passada, o CEO do Itaú, Milton Maluhy, criticou as práticas do Master, que resultaram em uma conta de R$ 55 bilhões a ser assumida pela sociedade e pelos bancos. O Master oferecia retorno de 140% do CDI, bem acima do mercado, além de pagar comissões elevadas para que plataformas distribuíssem seus papéis.

— Houve um incentivo inadequado, colocando os interesses das plataformas acima dos do sistema e dos clientes. Algumas plataformas utilizaram o FGC para alavancar negócios insustentáveis — afirmou Maluhy.

No mercado, BTG, Nubank e XP foram citados por gestores como as principais plataformas que ajudaram a distribuir os CDBs do Master. As plataformas não se manifestaram sobre o tema.

Cohn reforçou que o abuso do Master em relação ao FGC não deve ser tolerado. O banco utilizava em sua comunicação o fato de o fundo garantir investimentos de até R$ 250 mil em caso de quebra.

— Esse abuso precisa ser proibido — destacou o diretor financeiro do BTG.

Cohn ainda afirmou que há diversas formas de corrigir o uso inadequado do FGC.

— Em países como Estados Unidos e na Europa, discute-se qual percentual pode ser coberto pelo seguro do fundo garantidor. Esse debate está em andamento. É provável que o Banco Central e o próprio FGC promovam mudanças para aprimorar o mecanismo de proteção e evitar novos erros. O problema está em como o banco utiliza os recursos captados — analisou Cohn, referindo-se ao Master.

Negociação de carteiras do BRB

Sobre as negociações para compra de carteiras de crédito do BRB — instituição que tentou adquirir o Master, mas foi impedida pelo Banco Central —, Cohn afirmou que o BTG avalia oportunidades desde que as carteiras atendam aos rigorosos padrões de qualidade do banco.

— Se o BRB apresentar carteiras de alta qualidade e preço adequado, vamos analisar e considerar a aquisição. Isso vale para todo o mercado. Aquisição de carteiras faz parte do nosso dia a dia — afirmou.

Lucro recorde em 2025

O BTG encerrou 2025 com resultados recordes, impulsionados pela diversificação de negócios, desempenho superior em todas as linhas e maior alavancagem operacional.

As receitas totais do banco, liderado por André Esteves, alcançaram R$ 33 bilhões, enquanto o lucro líquido ajustado somou R$ 16,7 bilhões, crescimento de 32% e 35%, respectivamente, em relação a 2024.

O retorno ajustado sobre o patrimônio líquido (ROAE) atingiu 26,9%, frente aos 23,1% registrados no ano anterior.