Finanças
Galípolo destaca 'calibragem' dos juros e detalha atuação do BC no caso Master
Presidente do Banco Central participa de evento da associação de bancos em São Paulo
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira que a política monetária brasileira entrou em uma “fase de calibragem”, após a autoridade manter a taxa básica de juros em patamar elevado por um período prolongado.
“Eu acho que agora a gente chega num momento onde a palavra-chave desse ciclo de política monetária é a palavra calibragem”, disse Galípolo durante evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo.
Na ocasião, Galípolo reconheceu a melhora do cenário econômico, com inflação e expectativas do mercado mais controladas do que no início do ano passado. No entanto, evitou interpretações de “volta da vitória”, destacando que a atividade econômica segue mais resiliente do que se previa:
“A inflação se comportou melhor do que se esperava naquele momento, mas também é verdade que a atividade se mostrou mais resiliente do que se esperava.”
Ao comentar o caso do Banco Master, Galípolo buscou esclarecer informações recentes sobre a atuação do Banco Central. Ele afirmou que não há ilegalidade na oferta de CDBs com rendimentos acima do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), referência para investimentos. Segundo o presidente do BC, apenas essa prática não justificaria uma intervenção da autoridade monetária.
“Não há nenhum tipo de regra que veda você fazer essas captações a uma taxa acima do CDI. Isso não configuraria, como muita gente achou que poderia configurar, um objeto para você fazer qualquer tipo de atuação e cuidar do banco, porque existiam CDBs que estavam sendo emitidos a uma taxa superior do CDI. Não se trata disso”, explicou.
No final do ano passado, o Banco Central enviou ao Tribunal de Contas da União (TCU) um histórico do processo que levou à liquidação do Master, decretada em novembro. Entre os pontos destacados, o BC apontou uma “crise aguda de liquidez” que impedia o banco de cumprir, pontualmente, seus compromissos.
No início deste mês, o Banco Central acionou a Controladoria-Geral da União (CGU) para colaborar em uma apuração interna sobre os motivos da liquidação da instituição financeira ligada a Daniel Vorcaro. O objetivo é avaliar os procedimentos adotados e a conduta de integrantes do BC no caso.
Galípolo observou que, para quem não acompanha de perto o sistema financeiro, a atenção dedicada ao Master pode parecer desproporcional, já que se trata de um banco de “terceira divisão”, com baixa participação de mercado. No entanto, ressaltou que o tamanho da instituição não diminui a complexidade do caso, e que o Banco Central atuou de forma criteriosa durante a investigação, recordando que, em outras épocas, a autoridade já foi questionada por liquidações semelhantes.
O presidente do BC também agradeceu pelo momento de autonomia institucional, mencionando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a importância do respaldo para a estabilidade monetária e financeira:
“Garantir a autonomia do Banco Central e da Polícia Federal, muita gente pode dizer que é uma garantia constitucional. Mas ter essa certeza, essa tranquilidade, que vamos poder trabalhar com essa autonomia, sem que ninguém nos pergunte o que está sendo sugerido e garantir essa proteção do Presidente da República, [...] é bastante importante.”
Galípolo ainda agradeceu à ABBC e a diversas entidades do setor financeiro pelas manifestações públicas de apoio ao longo do período.
“Não consigo exagerar a importância desse apoio de vocês, da opinião pública e de estarem ao lado de quem joga luz e verdade, que é o mais importante nesse processo.”
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