Finanças

Infraestrutura deve impulsionar janela favorável para IPOs nos próximos meses, avalia B3

Bolsa de SP apresenta nova marca para serviços de dados e IA, buscando diversificar receitas além do mercado financeiro

Agência O Globo - 05/02/2026
Infraestrutura deve impulsionar janela favorável para IPOs nos próximos meses, avalia B3
Infraestrutura deve impulsionar janela favorável para IPOs nos próximos meses, avalia B3 - Foto: Reprodução

O setor de infraestrutura deve liderar uma nova onda de aberturas de capital (IPOs) no Brasil nos próximos meses. A avaliação é do CEO da B3, Gilson Finkelsztain, que destacou o segmento de saneamento como principal destaque. A declaração foi feita nesta quinta-feira (27), durante encontro com jornalistas em São Paulo (SP).

Segundo Finkelsztain, a perspectiva positiva decorre principalmente de uma realocação global de recursos, motivada por fatores externos. Apesar desse cenário, ele ressaltou que a taxa de juros no Brasil permanece elevada, o que ainda representa um desafio para o mercado de renda variável, mesmo diante das expectativas de queda.

“Tem um vento bom chegando. Isso é bastante fruto de uma realocação de recursos global. Vimos uma entrada de recursos que fez o mercado de renda variável reagir. Foram recursos estrangeiros alocados em mercados emergentes, e o Brasil captou parte disso. Parece ser o início de um movimento que pode ser muito positivo para mercados emergentes, revertendo quase cinco anos em que o mercado americano absorveu todo o dinheiro marginal da indústria de investimentos, especialmente em tecnologia e setores adjacentes”, afirmou.

O executivo lembrou que cerca de 50 empresas já estão aprovadas para processos de IPO. Segundo ele, essas companhias fortaleceram investimentos e governança nos últimos anos e agora estão prontas para buscar recursos e avançar em planos de expansão.

“O mercado deve começar com empresas do setor de infraestrutura, que não são pequenas. São empresas maduras, com perspectiva de investimento mais clara. A infraestrutura parece ser o setor que vai abrir essa janela, com destaque para saneamento, seguido por logística. Mas há empresas de diversos setores preparadas para esse movimento”, acrescentou.

Finkelsztain também destacou que 2026 será um ano eleitoral, trazendo incertezas, especialmente quanto à agenda fiscal. A partir do próximo mês, definições sobre candidaturas, diretrizes econômicas e planos de governo devem contribuir para calibrar as expectativas do mercado em relação aos juros futuros.

“O investidor brasileiro chegou a ter perto de 15% dos recursos investidos em ações, mas hoje esse número está entre 5% e 6%. Ainda é pequeno, porém houve grande evolução em educação financeira. Se ocorrer a queda das taxas de juros, esse movimento pode ser muito forte”, avaliou.

Nova marca da B3

Nesta manhã, a B3 lançou a Trillia, nova marca voltada para soluções em inteligência, dados, analytics e inteligência artificial. A iniciativa integra cinco negócios do ecossistema de dados da companhia: PtDTec, Neoway, Neurotech, DataStock e a Unidade de Infraestrutura para Financiamentos (UIF).

Com o lançamento, a B3 busca reduzir a dependência dos ciclos do mercado financeiro e ampliar a participação de receitas menos voláteis, atualmente cerca de 10% do total.

Segundo Finkelsztain, o movimento segue a tendência de grandes bolsas globais, que apostam em dados como estratégia para dar mais estabilidade aos resultados. Internacionalmente, bolsas buscam ter entre 30% e 35% de suas receitas em áreas menos cíclicas. Nos Estados Unidos, esse índice está em torno de 25%.