Finanças
Caso Master: BRB revela que fundador da Reag possui 4,5% das ações do banco
Primeiro resultado da auditoria contratada pelo banco estatal aponta participação acionária de João Carlos Mansur
O Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal, identificou que João Carlos Mansur, fundador da gestora de recursos Reag, detém participação acionária na instituição financeira. A informação consta no "Formulário de Referência" atualizado em 3 de fevereiro e já foi encaminhada à Polícia Federal (PF), que apura suspeitas de gestão temerária na diretoria do BRB durante a compra de carteira do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Segundo o documento do BRB, Mansur detém 4,553% do capital do banco (sendo 0,568% das ações ordinárias, com direito a voto, e 12,237% das ações preferenciais). O dado foi divulgado pelo jornal Valor Econômico. Procurado, Mansur informou por meio de sua assessoria que não irá comentar o caso.
O achado faz parte da auditoria conduzida pelo escritório Machado Meyer, com apoio da Kroll.
Tanto o Banco Master quanto a Reag foram liquidados pelo Banco Central. As transações entre as duas instituições estão sob investigação da PF.
No mês passado, o Will Bank, controlado pelo conglomerado do Master, tornou-se inadimplente. Como consequência, a bandeira de cartões Mastercard executou garantias, passando a deter 6,920% do BRB (3,662% das ações ordinárias e 13,200% das preferenciais).
A base acionária do BRB também inclui o fundo Borneo, que possui 3,164% do capital (0,711% das ações ordinárias e 7,895% das preferenciais), conforme o Formulário de Referência.
De acordo com apuração de O GLOBO, há suspeita de que alguns dos mesmos fundos de investimento que aportaram recursos no Banco Master também tenham capitalizado o BRB, ampliando a capacidade operacional do banco estatal junto à instituição de Daniel Vorcaro.
A capitalização de um banco pode multiplicar sua capacidade de crédito e, nesse caso, teria permitido ao BRB negociar a compra do Master — operação posteriormente vetada pelo Banco Central.
A auditoria destacou que a capitalização, inicialmente prevista para ocorrer por meio de oferta pública de ações (“follow-on”), acabou sendo realizada via subscrição privada. Na oferta pública, todos os investidores podem participar; já na subscrição privada, apenas os acionistas já existentes têm esse direito.
A Polícia Federal investiga se gestores do BRB, incluindo o então presidente Paulo Henrique Costa, atuaram para facilitar a entrada desses fundos na base acionária. A defesa de Paulo Henrique preferiu não se manifestar.
A PF também busca esclarecer se os fundos tornaram-se acionistas antes do aumento de capital, possibilitando sua participação na subscrição privada, e se a antiga diretoria do BRB tinha conhecimento dos beneficiários finais desses fundos.
Mais lidas
-
1TRABALHO
Calendário de 2026 concentra feriados em dias úteis e amplia impacto sobre a gestão do trabalho
-
2SERVIÇO
IPVA 2026 RJ: confira o calendário de vencimentos por final de placa
-
3ABONO SALARIAL
PIS/Pasep 2026: confira o calendário de pagamentos e saiba quem tem direito ao benefício
-
4ECONOMIA
Vencimento do IPVA 2026 começa para veículos com placas de final 0 no Rio
-
5TRIBUTOS
IPVA 2026: Primeira parcela ou cota única começa a vencer nesta quarta-feira; confira como pagar